O presidente Lula (PT) começa na próxima semana, depois do feriado de Finados, as conversas para montar o quarto mandato. A ordem é fechar a Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro, antes da posse de 1º de janeiro.
O presidente do PT, Edinho Silva, foi designado para conduzir as primeiras rodadas com os partidos de centro. A régua mudou em relação à montagem atual, quando o tamanho da bancada definia o número de pastas.
Agora cada ministério será negociado pelo número de votos que o partido prometer entregar nas pautas do governo. Só quem demonstrar fidelidade poderá indicar nomes para cargos no Executivo.
O mapa de votos será fechado antes da distribuição das cadeiras. Com ele, Lula define quantas pastas cada legenda recebe e quais aliados entram na equipe.
O preço de entrada em votos O MDB abriu a conversa acenando com 30 votos.
O ex-governador do Pará Helder Barbalho está entre os cotados para uma cadeira no primeiro escalão. A promessa não é a entrega.
O Planalto tenta evitar a repetição do mandato atual, quando partidos com ministério votaram contra projetos de interesse do governo. O compromisso será cobrado voto a voto, em votações nominais.
Bancada grande não garante placar, e o governo já sentiu isso na legislatura que termina em janeiro. A conta tem dois lados.
A mesma bancada que promete fidelidade em novembro vai eleger as presidências da Câmara e do Senado em fevereiro, e aí o preço pode subir. Cada pasta controla orçamento e programas que chegam aos municípios.
A disputa por ministério decide onde vai o dinheiro da saúde, da educação e da infraestrutura nos próximos quatro anos. Derrotados nas urnas entram na conta
Lula também precisa acomodar aliados que perderam eleições depois de cumprir missão na campanha. Gleisi Hoffmann abriu mão da disputa à Câmara para concorrer ao Senado pelo Paraná, a pedido do presidente.
Ela avisou a Lula que seria derrotada em um estado de forte presença bolsonarista. Perdeu.
O nome dela circula para o Ministério do Desenvolvimento Social, para o Tribunal de Contas da União (TCU) e para a direção-geral de Itaipu Binacional. A ida ao TCU depende da indicação do ministro Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A cadeira em Itaipu fica no Paraná, estado onde Gleisi foi derrotada, e não a recoloca no centro da Esplanada. Fernando Haddad perdeu o governo de São Paulo.
Antes do primeiro turno, era o principal cotado para a Casa Civil. Agora aparece para o Itamaraty ou para a Educação, pasta que já comandou.
Paulo Pimenta perdeu no Rio Grande do Sul e segue no círculo de confiança. O vice Geraldo Alckmin (PSB) deverá assumir um ministério em janeiro, com a Defesa e a Fazenda entre os destinos citados.
Lula relatou a aliados que ficou satisfeito com o desempenho do vice na campanha. Governistas esperam mais viagens e conversas com empresários em nome do presidente no novo mandato.
A Defesa concentra área sensível do Executivo. A Fazenda reúne a política econômica e o controle do Orçamento federal.
Camilo sobe e Fonteles entra na lista O senador Camilo Santana (PT-CE) lidera as cotações para a Casa Civil.
O grupo político dele saiu vitorioso no Ceará e ganhou peso na interlocução com o presidente. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é cotado para a Fazenda.
Ele teria de deixar o governo do estado e já disse a aliados que está disposto a fazê-lo. Camilo pode ir para a Segurança Pública se o Congresso aprovar a PEC da Segurança.
Nesse cenário, Haddad assumiria a Casa Civil. A primeira prova da régua
A PEC da Segurança é o teste imediato do método. A criação do ministério depende de votos no plenário, e o governo quer que a promessa de fidelidade pese na hora de liberar as pastas.
Emenda constitucional exige três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado. A conta de Lula precisa fechar em 308 deputados e 49 senadores, se todos comparecerem.
A régua não altera a aritmética do Congresso. Quem fica fora da Esplanada mantém poder de travar pautas em comissões e no plenário, e o governo precisa de maioria estável para tocar a agenda econômica.
O prazo de 20 de dezembro obriga a decisão antes do recesso parlamentar. Lula terá de converter promessa em assinatura, e a primeira prova da régua será a votação da PEC da Segurança, ainda sem data marcada.
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