Quantas situações podem acontecer em uma partida de futebol? Dos gols à festa da torcida, dos momentos de tensão a atendimentos médicos: um jogo pode trazer muitas nuances. E nesses momentos, muitas vezes de aflição, é necessária a atuação dos personagens invisíveis da saúde.
A enfermeira e empresária Odi Veiga é a responsável por conduzir esse trabalho nas ambulâncias em estádios pernambucanos há 26 anos. @@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
A vasta experiência envolvendo jogos de Náutico, Sport, Santa Cruz, Retrô e Seleção Brasileira estão no livro "Entre Cobras, Leões e Timbus - narrativas de uma mulher, como uma Fênix, à frente das ambulâncias nos estádios de futebol". A obra foi escrita por Sidney Nicéas e tem lançamento neste sábado (24), a partir das 15h, na AABB Recife.
Capa do livro.
Foto: Reprodução O livro traz um compilado de crônicas que atravessam os momentos passados por Odi Veiga e sua equipe nos jogos de futebol.
"Toda vez que a gente tinha uma situação engraçada ou inusitada, eu dizia assim: 'Nossa, isso vai dar um livro'. E de tanto a gente falar e brincar dessa forma acabou dando um livro", afirmou a empresária.
Casos emblemáticos O ambiente do futebol tem a presença de atos de violência, dentro ou fora dos estádios.
A enfermeira relata dois casos como os mais chocantes que ela esteve presente. O primeiro foi a morte provocada pelo arremesso de um vaso sanitário por um torcedor do Santa Cruz após um duelo no Arruda contra o Paraná, em 2014.
O segundo ocorreu na Ilha do Retiro, no episódio da invasão da torcida do Sport na partida contra o Vasco, em 2022. Na ocasião, dois bombeiros civis, sendo uma mulher, foram agredidos por um dos invasores.
"O caso do vaso sanitário foi uma repercussão internacional negativa. Foi terrível saber como é que a vida é tão banalizada a ponto de você atirar um vaso sanitário.
O outro foi a torcida que acabou invadindo e agredindo quem não tinha nada a ver com a história", relembrou. Invisibilidade
O autor do livro, Sidney Nicéas, viu nas histórias de Odi Veiga a oportunidade para escrever pela primeira vez sobre futebol. O escritor tentou a carreira de jogador e, quando era adolescente, atuou pelas categorias de base do Sport.
"Passamos dois anos realmente mergulhado nesse processo todo de entrevistas e pesquisas. A escolha pela crônica porque é o gênero mais próximo do universo futebolístico", disse.
Sidney Nicéas, escritor do livro. Foto: Juliana Andrade/Divulgação
A coletânea de crônicas nas 270 páginas do livro traz um QR Code em cada história com um direcionamento para matérias jornalísticas referentes a cada jogo ou situação relatada. Segundo o escritor, o que mais chamou atenção ao ouvir os relatos foi a invisibilidade das pessoas que atuam nos atendimentos médicos.
"A gente vê que tem uma ambulância, mas passa tudo despercebido. Então, a gente começa a apurar que é um trabalho árduo e muito valoroso, porque é um pessoal que está para salvar a vida mesmo”.
O autor considera que o livro tem o futebol pernambucano e a saúde como temas centrais. Entretanto, a obra transcende essas fronteiras por se tratar de temáticas universais.
"O livro tem muito da realidade do país. A questão social do país e da violência.
Está tudo muito presente dentro da obra. Então, é um livro que realmente transcende o futebol e transcende a questão da saúde, embora seja basicamente sobre essas duas coisas”, completou.
Folha de Pernambuco