247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou, nesta terça-feira (20), pedido urgente à Polícia Federal para localizar, proteger e ouvir Lídia Maria Figueiredo Mazelli, apontada como empregada doméstica e suspeita de atuar como laranja de Willer Tomaz, advogado investigado por acusações de lavagem de dinheiro e ligado ao senador Flávio Bolsonaro, atual candidato à Presidência da República. O pedido feito pelo petista está relacionado ao inquérito distribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
De acordo com informações recebidas pelo deputado, Lídia não é localizada desde setembro. Ela ocupou cargos de direção em pelo menos 14 empresas vinculadas ao advogado, incluindo a Alcazar Holdings, offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e a RioPag, responsável pelo processamento de pagamentos das apostas credenciadas pela Loterj.
O inquérito foi enviado a Moraes em 16 de outubro. Um dos pontos centrais da investigação é a ligação financeira entre Flávio Bolsonaro e a offshore de Willer Tomaz. Conforme documentos bancários identificados pela PF e divulgados pela imprensa, uma conta em nome de Flávio Bolsonaro estava vinculada ao mesmo perfil de acesso bancário, denominado “usuário master”, utilizado na estrutura financeira da Alcazar Holdings. Esse perfil permite administrar acessos às contas empresariais e autorizar outros operadores.
Em 22 de maio de 2025, cerca de um mês após a deflagração da Operação Sem Desconto, uma funcionária do escritório de Willer Tomaz pediu ao Santander a desvinculação da conta de Flávio desse usuário master, providência confirmada pelo banco no mesmo dia.
A coincidência dos acessos levanta suspeitas sobre a relação financeira entre o senador e a estrutura empresarial do advogado. Lídia, que representava formalmente a offshore no Brasil, poderá esclarecer quem efetivamente controlava essas contas e autorizava as operações.
A urgência do pedido aumenta diante da viagem de Willer Tomaz ao exterior na mesma semana em que o inquérito chegou ao STF. Documentos apresentados à PF mostram que Lídia, apesar de ter declarado à Justiça não possuir recursos para custear o inventário da própria mãe e receber apenas um salário mínimo pela administração da Alcazar Brasil, assinou a aquisição de uma mansão em Angra dos Reis (RJ) avaliada em R$ 10 milhões, administrou uma sociedade titular de direitos sobre uma ilha anunciada por R$ 17 milhões e dirigiu a RioPag, à qual a Loterj atribui a falta de repasse de R$ 20,9 milhões.
O deputado Lindbergh Farias requer sua localização imediata, avaliação de risco, eventual inclusão no programa federal de proteção a testemunhas e depoimento reservado. O objetivo é impedir que uma possível laranja seja transformada em bode expiatório e identificar quem realmente controlava as empresas, movimentava os recursos e se beneficiava das operações financeiras investigadas.
Polêmicas de Willer Tomaz
O advogado Willer Tomaz coleciona outras polêmicas. O amigo de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 4,8 milhões na plataforma de apostas Bet7K, administrada pela Ana Gaming. A empresa passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O escritório de advocacia ligado ao senador emitiu notas fiscais que somam pelo menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, enquanto o parlamentar exercia seu mandato no Senado. A PF também instaurou um inquérito para investigar as transações financeiras da empresa após identificar indícios de uma possível conexão bancária entre Flávio Bolsonaro e o Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro e o STF
O senador Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das apurações começou em outubro e investiga suspeitas de crimes, entre eles lavagem de dinheiro. Além do parlamentar, o inquérito envolve Willer Tomaz. O ministro Alexandre de Moraes conduz a relatoria desse procedimento. O outro inquérito investiga suspeitas de irregularidades no financiamento da produção de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro (PL). O ministro André Mendonça responde pela relatoria do caso.
Brasil 247