Lincoln Gakiya: As cartas com planos do PCC para matar promotor público

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O promotor Lincoln Gakiya, que pode se tornar ministro da Segurança Pública no próximo mandato do presidente Lula, não sabe o que é privacidade na vida há muito tempo. Membro do Ministério Público de São Paulo desde 1991, quando ainda tinha 24 anos, ele começou a conviver com escolta policial em 2005, depois que os chefes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) decretaram a morte do servidor público pela primeira vez.

Em 2014, Gakiya passou a ser acompanhado por policiais militares durante 24 horas por dia. Os agentes estão sempre na porta de sua casa.

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"Dentro do possível, minha vida é normal", disse ele ao Jornal O GLOBO em 2018. "Vou à academia, corro no parque...

Não posso viver encarcerado na minha residência. Mas é claro que não é agradável explicar pros seus filhos, pra sua mulher e sua mãe por que tem tanta polícia na porta da sua casa".

Todo esse cuidado não é por menos. Em 2008, o promotor assumiu a liderança do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público em Presidente Prudente.

Tornou-se o rosto mais conhecido no combate a facções numa região que abriga o maior número de presídios no Brasil (são 22 unidades, com mais de 23 mil detentos). Em 2018, a polícia apreendeu duas cartas cifradas com ameaças contra o promotor.

Atribuídas ao PCC, as cartas foram interceptadas mulheres que tinham acabado de visitar presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Acervo O GLOBO: Todas as edições do jornal desde 1925 digitalizadas para pesquisa

O material também tinha ameaças direcionadas ao então coordenador da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, Roberto Medina. As cartas foram escritas em código.

Uma dizia que a missão era de extrema importância, “pois se o amigo aqui for para federal essa situação tem de ser colocada no chão”. A outra trazia orientações e localização.

“o endereço que ele vai tá mapeado, (...) ele fica a semana toda lá, porque o trampo dele é lá dentro [...] O frango japonês é um pouco mais complicado, mas dá pra fazer” (frango japonês era como membros do PCC chamavam Gakiya). Condenado por tráfico e homicídio, Marcola, que está em presídio federal de Rondônia, era um dos presos que facção pretendia resgatar

Divulgação A ordem dos assassinatos seria uma reação do PCC ao pedido do MP para transferir para um presídio federal diversos líderes da facção, entre eles o bandido Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Gakiya tinha solicitado à Justiça a remoção de 15 integrantes da facção, com base em um recém-descoberto plano para resgatar Marcos e outros criminosos. O plano consistia em sitiar o município de Presidente Venceslau e controlar prédios públicos.

A Justiça chegou a fechar o aeroporto local, e o governo estadual mandou para a região mais de 200 agentes da tropa de elite da PM. O pedido foi deferido pela Justiça, dando início a um planejamento de mais de 50 dias.

Em fevereiro de 2019, Marcola e outros 21 chefes do PCC foram transferidos em uma grande ação coordenada entre os governos federal e de São Paulo. Havia enorme cuidado para evitar uma retaliação como a de 2006, quando a facção liderou uma onda de ataques ao poder público, matando dezenas de agentes, após uma série de transferências de seus principais membros.

"Sempre pairou a ideia de que qualquer atitude mais drástica contra o PCC poderia repercutir como em 2006", disse Gakiya na época. Nada disso cessou as tentativas da facção.

Em outubro de 2025, foi uma operação desarticulou um plano do PCC para assassinar autoridades paulistas. De acordo com as investigações, os criminosos usaram drones e alugaram casas para monitorar até familiares de seus alvos, entre eles Lincoln Gakiya e Roberto Medina.

Em um celular apreendido, os policiais encontraram mensagens mostrando que os bandidos conheciam a rotina de seus alvos. Nos diálogos, havia também prints das redes sociais de parentes e imagens das placas dos veículos usados pelos dois servidores.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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