Pedro Uczai critica autonomia do Banco Central após manutenção da Selic em 13,75% e defende mudanças na política monetária e regras fiscais O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), atacou nesta quinta-feira, 5, a política de juros do Banco Central e defendeu mudanças na legislação que estabelece a autonomia da instituição.
Em discurso na tribuna da Câmara, o parlamentar classificou os juros reais praticados no país como “abusivos e criminosos” e cobrou que as decisões da autoridade monetária estejam alinhadas às prioridades econômicas do governo. A manifestação ocorreu um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cinco cortes consecutivos.
Uczai criticou a influência do mercado financeiro sobre a condução da política monetária e afirmou que a autonomia do Banco Central acabou afastando a instituição dos interesses da sociedade e do setor produtivo. “É abusiva e criminosa”, afirmou o deputado, ao se referir ao patamar dos juros reais, que, segundo ele, chega a 9,9%.
O petista também apresentou duas propostas da bancada para alterar as regras econômicas. Uma delas prevê vincular as decisões do Banco Central à política econômica do governo, considerando metas de geração de empregos, responsabilidade fiscal e desenvolvimento social.
A outra retira os investimentos públicos destinados ao desenvolvimento nacional dos limites estabelecidos pelo Arcabouço Fiscal. Para Uczai, o modelo de autonomia aprovado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisa ser revisto.
O deputado argumentou que a instituição mantém independência em relação ao Congresso, ao Executivo e à sociedade, mas estaria subordinada aos interesses do sistema financeiro. “Temos uma crítica profunda a essa autonomia absoluta do Banco Central.
Não tem nada de autonomia. Autonomia em relação ao Congresso, autonomia em relação ao governo e autonomia em relação à sociedade brasileira e ao setor produtivo, mas subordinado à política monetária do Banco Central, ao setor financeiro, aos banqueiros, à especulação”, declarou.
O parlamentar defendeu que a política monetária também considere indicadores de crescimento econômico, industrialização e redução do endividamento público, empresarial e das famílias. Entre as prioridades mencionadas por Uczai estão investimentos em infraestrutura, energia, ciência, tecnologia e inovação, além do fortalecimento da indústria nacional.
O líder petista também defendeu a criação da Terrabras, proposta de empresa estatal voltada à inovação e à industrialização de terras raras. Segundo ele, a iniciativa permitiria ampliar a capacidade brasileira de explorar esses minerais e agregar valor à produção nacional.
Uczai relacionou a proposta à defesa da soberania econômica e à geração de empregos. Para o deputado, o país precisa deixar de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas e ampliar sua participação nas etapas industriais de maior valor agregado.
Durante o pronunciamento, Uczai também associou a reeleição do presidente Lula (PT) à derrota do bolsonarismo e de projetos políticos que, segundo ele, ameaçavam a soberania nacional e os direitos sociais. “A reeleição do presidente Lula é a derrota do bolsonarismo, é a derrota do negacionismo, é a derrota daqueles que queriam entregar o Brasil e destruir nossa soberania nacional”, afirmou.
O deputado ainda mencionou o caso do Banco Master e fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem associou politicamente ao episódio. No encerramento do discurso, Uczai citou a crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira paraguaia que sofreu intervenção do Banco Central do país.
O episódio afetou aproximadamente 3 milhões de clientes e provocou uma crise política que culminou na renúncia do presidente Santiago Peña nesta quinta-feira, 5. Peña havia sido acionista da holding ligada ao banco até março de 2025.
A crise também atingiu a cúpula da autoridade monetária paraguaia e levou à abertura de investigações sobre executivos da instituição. O parlamentar traçou um paralelo entre o caso paraguaio e o escândalo do Banco Master, no Brasil, e criticou modelos econômicos que, em sua avaliação, favorecem interesses privados em detrimento da proteção da população.
O Antogonista