Depois do desaparecimento da água, chuvas e proteção de cursos naturais acompanham a recuperação da lagoa na região de Paine. Depois de desaparecer durante a seca de 2018, a água voltou a ocupar a Laguna de Aculeo, em Paine, no Chile, com a retomada das chuvas na região.
Em outubro de 2026, a prefeitura informou uma recuperação próxima de 90% da capacidade, enquanto aves, peixes e atividades de lazer reapareciam na paisagem. Ao sul de Santiago, a Laguna de Aculeo fazia parte da paisagem de lazer do Chile central quando a longa seca começou a reduzir seu nível, de forma perceptível a partir de 2010.
A queda continuou nos anos seguintes, até o desaparecimento da superfície alagada em 2018. A redução das chuvas se combinou à retirada de água para atividades agrícolas e residenciais, pressionando uma bacia que já recebia reposição insuficiente.
Estudos citados pelo Ministério do Meio Ambiente chileno associam o secamento a esse desequilíbrio entre a água que chegava à região e aquela consumida. As chuvas de 2023 marcaram a retomada visível do enchimento, que ganhou força com os temporais posteriores.
Em outubro de 2026, a Prefeitura de Paine informou que a lagoa alcançara cerca de 90% da capacidade, seu maior nível desde antes da crise, segundo o jornal The Clinic. Três momentos ajudam a compreender a mudança:
Onde antes havia fundo exposto, a água voltou a ocupar a paisagem e a aproximar moradores e visitantes da lagoa. A permanência dessa recuperação depende do abastecimento da bacia ao longo das estações, especialmente quando a região volta a atravessar períodos de estiagem.
Os 90% divulgados pela prefeitura se referem à recuperação da capacidade da lagoa, enquanto a qualidade da água, a vegetação e as populações de animais exigem acompanhamento próprio. O retorno do espelho de água representa uma mudança importante na paisagem, mas a recuperação ecológica envolve também esses outros elementos.
As informações disponíveis medem dimensões diferentes: A proteção ambiental alcança a lagoa e os cursos de água e planícies inundáveis ao redor dela, que participam da circulação e da retenção da água.
Cuidar desse conjunto ajuda a preservar as condições das quais dependem tanto o nível da lagoa quanto os habitats que voltaram a ser ocupados. Em dezembro de 2025, o Ministério do Meio Ambiente do Chile reconheceu o sistema Estero Pintué–Estero Santa Marta–Laguna de Aculeo como humedal urbano.
A proteção cobre cerca de 1.107,5 hectares, reunindo a lagoa, os cursos de água e as planícies associadas em uma mesma área de conservação. Os esteros conduzem a água pelo território, enquanto as planícies de inundação armazenam parte dela nos períodos chuvosos.
Preservar essas conexões favorece a recarga do sistema e ajuda a manter os ambientes aquáticos de que a fauna e a vegetação dependem ao longo do ano. Com a volta da água, aves e peixes passaram a ser vistos novamente, e a região recuperou parte de sua movimentação com atividades como observação de aves, caiaque e windsurf.
As margens voltaram a reunir visitantes em torno de uma paisagem que havia desaparecido durante a seca. Os avistamentos ajudam a acompanhar a volta dos animais, assim como acontece quando um peixe reaparece em um rio depois de um longo intervalo.
Em Aculeo, esse retorno se soma à retomada do lazer, tornando o cuidado com as margens e com a qualidade da água parte da convivência diária com a lagoa. A retomada da visitação trouxe de volta as discussões sobre navegação e preservação, incluindo o pedido do prefeito Rodrigo Contreras por atenção ao uso de embarcações motorizadas.
As decisões sobre lazer agora precisam conviver com o esforço para conservar a água e atravessar futuros períodos secos. Enquanto outras regiões recorrem a obras de condução de água, como os rios artificiais, a Laguna de Aculeo depende principalmente do equilíbrio de sua própria bacia.
Sua história recente liga o retorno das chuvas à proteção dos cursos naturais, que continuam sustentando a vida e os usos da lagoa.
O Antogonista