Banheira instagramável, banho terapêutico e massagens: como são os spas para bebês que estão ganhando as redes sociais

Banheira instagramável, banho terapêutico e massagens: como são os spas para bebês que estão ganhando as redes sociais - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Todo mundo merece relaxar, até quem acabou de nascer. É nisso que acreditam os criadores dos spas para bebês, centros de tratamento que oferecem banhos terapêuticos e sessões de massagem.

A iniciativa, que tem feito sucesso entre os pais e nas redes sociais, é opção para acalmar as crianças e estimular o desenvolvimento. Com dois meses de vida, Henry Davi Ferreira Nunes já foi ao spa duas vezes.

A mãe, Yasmin de Vasconcelos Nunes dos Santos, de 23 anos, conta que, ainda grávida, conheceu o espaço pela internet e que a primeira vez que contratou o serviço buscava algo para amenizar a irritação natural dos bebês após tomarem as vacinas. — Foi incrível desde o momento em que cheguei lá.

E se tornou uma das memórias mais inesquecíveis que tenho até hoje da maternidade. Dentro da hidro ele parecia um peixinho e na hora da massagem, um reizinho — brinca a mãe.

A médica boliviana Melissa Olmos Chávez, fundadora do Baby Spa de São Paulo, conta que a ideia surgiu na pandemia, quando procurava alternativas para bebês que sofriam com a falta de estímulos externos. Primeiro ela abriu uma unidade na Bolívia, em 2021.

Depois do sucesso, expandiu este ano para o Brasil. Desde a inauguração, em maio, o local, que recebe de recém-nascidos a bebês com 2 anos, já contabiliza mais de 200 atendimentos.

— Todos os detalhes, desde a temperatura ambiente, iluminação e música, até as manobras de massagem e os jatos suaves da água, são minuciosamente planejados para garantir o bem-estar e a segurança do bebê — garante Melissa, que conta que o modelo de tratamento surgiu no Kosovo, na Europa.

A banheira instagramável, a grande atração nas redes, tem sistema de iluminação para relaxamento, bolhas e jatos para criar estímulos sem assustar o bebê, além de um sistema de desinfecção por ozônio que purifica a água. As sessões no espaço custam a partir de R$ 250.

O pediatra Daniel Becker não critica as iniciativas, mas explica que os bebês não têm entendimento das técnicas aplicadas, o que faz com que não exista uma efetividade capaz de trazer benefícios a longo prazo para os pequenos. — Não há nada de errado com o spa, mas é a criação de mais uma necessidade para o bebê que, de fato, não existe.

O bebê não precisa de spa e sim de carinho. Um banho gostoso dado pelos pais supre essa questão — pontua Becker, destacando a necessidade de se estar atento com a segurança da criança: — O bebê não pode ficar sem acompanhamento na banheira em hipótese alguma.

Os spas têm sido procurados também como alternativas para comemorações de mêsversários. Esse foi o motivo que levou a manicure Kethlyn Silva, de 30 anos, a buscar uma unidade do spa no Rio de Janeiro para celebrar os quatro meses do filho, Zion.

Ela conta que depois da experiência percebeu uma mudança no comportamento da criança, que voltou mais tranquilo para casa. — Ele ama água e ficou superfeliz, tanto que deixou colocar a boia sem reclamar.

Depois teve ainda uma massagem, corte das unhas e limpeza dos ouvidos — lembra ela, que recomendou o serviço para outras mães. A pediatra Ana Carolina Viegas define os spas como atividades de entretenimento que não devem ser equiparados a tratamentos de saúde.

Ela avalia que o mergulho na banheira pode relaxar o bebê, mas que há outras atividades que também podem ser eficazes, como um banho tranquilo em casa, o colo dos pais, uma massagem suave e uma rotina saudável e previsível. — Apesar de algumas empresas divulgarem benefícios terapêuticos, nem todas essas promessas têm comprovação científica.

Não existem evidências robustas que permitam afirmar que frequentar um baby spa produza benefícios duradouros para o sono, a imunidade, o desenvolvimento neurológico ou a coordenação motora — destaca a pediatra. Em Recife, a psicóloga Sara Lamar, de 31 anos, queria inscrever Samuel, de 4 meses, na aula de natação.

Mas como ele ainda não tinha idade adequada, o spa acabou sendo uma saída para aproximá-lo da água. — Queria saber como ele ia se comportar no ambiente, e ele adorou.

Não vejo a hora de marcar outra sessão. Foram uns 20 minutos na banheira e mais uns 30 de massagem — conta ela, que participou da sessão inteira com o filho ao lado da fisioterapeuta.

Fundadora do Shanti Baby Spa, em Fortaleza, Nirvana Albuquerque conta que a sua inspiração surgiu das experiências vividas na maternidade das três filhas. — Vi que haviam poucos espaços voltados para o desenvolvimento dos bebezinhos e quis criar algo que proporcionasse momentos de conexão com eles — conta ela, que estudou três anos tratamentos internacionais antes de abrir o seu estabelecimento no final de 2025.

Mesmo que as iniciativas voltadas para bebês sejam recentes, a presença de crianças espaços de relaxamento não é novidade. São diversos os tratamentos idealizados para os pequenos, que vão desde a massagens em combinação com os pais até day use para grupos.

No Espaço Ki, em São Paulo, há pacotes para acolher mães e bebês de até 3 anos, com banho de ofurô com lavanda para os dois. Na sequência, enquanto o pequeno vai para a shantala (massagem de origem indiana, para aliviar desconfortos), a mãe desfruta de uma massagem relaxante.

Tem pacote também para crianças entre 4 e 10 anos, com presença dos pais. Além da massagem, o tratamento incluiu banho de calda de chocolate.

— Acreditamos que o bem-estar e o autocuidado podem fazer parte da vida desde a infância, desde que sejam apresentados de forma segura, acolhedora e adequada a cada idade — explica a psicóloga e aromaterapeuta do Espaço Ki, Beatriz Azevedo.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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