Justiça da Colômbia ordena que primeira-dama preste contas sobre doações para vítimas de terremoto

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um juiz ordenou que a primeira-dama da Colômbia publique, no prazo de 48 horas, as contas detalhadas das doações recebidas por sua fundação para atender às vítimas do terremoto devastador, que atingiu o país em agosto. Ana Lucía Pineda, mulher do presidente de direita Abelardo de la Espriella, é responsável por grande parte das contribuições privadas destinadas a atender centenas de milhares de pessoas afetadas e reparar os danos causados ​​pelo sismo de 7,4 graus ocorrido em 10 de agosto.

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O juiz determinou que sua fundação, "Luz y Sonrisas", apresente um "relatório de gestão" detalhando, "de maneira clara, precisa e coerente", o que foi feito com os recursos que a entidade "recebeu, administrou, canalizou ou distribuiu", conforme consta no documento.

A fundação, criada logo após a eleição do mandatário, informou em outubro ter recebido mais de US$ 17 milhões (cerca de R$ 93,5 milhões). No entanto, a oposição e alguns veículos de imprensa locais questionam o fato de que as doações anunciadas por De la Espriella em suas redes sociais somam mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão).

Além disso, afirmam que, quase três meses depois, a ajuda ainda não está chegando às áreas mais atingidas no oeste do país, onde os prejuízos são estimados em cerca de US$ 9,5 bilhões (cerca de R$ 52,2 bilhões). A decisão atende a um recurso judicial apresentado pelo senador de esquerda Alejandro Ocampo.

"Agora vamos saber onde está o dinheiro", disse o parlamentar em um vídeo publicado no X. O relatório apresentado por Pineda indica que 48 mil pessoas receberam ajuda humanitária, sem especificar de que tipo.

Também não há detalhes sobre o uso dos recursos nos locais onde milhares de residências, escolas e hospitais ficaram em ruínas. Em entrevista à Telecaribe, Pineda afirmou que os recursos não foram utilizados "porque a ajuda humanitária foi suficiente".

Acrescentou que o dinheiro será utilizado em uma segunda fase de reconstrução. No dia 31 de outubro, a primeira-dama inaugurou cercas em um município do departamento de Caldas, mas não entregou casas nem auxílios, o que lhe rendeu críticas.

"Quando o governo diz para arrecadar por meio de uma fundação privada, esse dinheiro passa a estar sujeito ao escrutínio público", acrescentou Ocampo. O forte terremoto deixou mais de 330 mortos e destruiu mais de 30 mil moradias.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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