Deputado federal e senador eleito por Goiás, Gustavo Gayer (PL) saiu em defesa da decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil com a família, mesmo após determinação judicial que restringia a saída dele do país. Em vídeo publicado nesta terça-feira (27), o parlamentar afirmou que a viagem aos Estados Unidos foi a “melhor alternativa” para evitar que o ex-candidato à Presidência se tornasse alvo de uma suposta estratégia política.
Para Gayer, Flávio corria o risco de ser preso e usado como instrumento de pressão contra a direita no Senado Federal, por exemplo, para impedir o avanço de pautas contrárias ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Todos nós sabemos que era uma questão de tempo, que ele seria preso e usado como peça de barganha no Senado para impedir que Rogério Marinho ou que um presidente de Senado da direita fosse eleito.
Ou até mesmo que o impeachment do Alexandre de Moraes fosse concretizado”, afirmou. Ao comentar a decisão de Flávio, Gayer disse que o senador “agiu corretamente” ao priorizar a própria segurança e a da família.
Ele também sustentou que a permanência nos Estados Unidos permitirá ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro continuar atuando politicamente. “Se você está numa ditadura, se você tem um alvo nas suas costas de pessoas que te perseguem, o correto é você pensar em si, na sua família. A melhor coisa que o Flávio fez, tanto para ele quanto para o Brasil, nesse momento é ir para os Estados Unidos”, comentou.
Durante o pronunciamento, Gayer aproveitou para criticar Moraes pela determinação de apreender o passaporte de Flávio, alegando que a decisão teria sido registrada apenas sete minutos após o resultado das eleições. Para Gayer, a rapidez indicaria que o documento judicial já estava preparado anteriormente, embora ele não tenha apresentado comprovação dessa afirmação.
“A decisão já estava redigida antes do resultado da eleição. Tanto é que ela entrou no sistema 7 minutos depois.” Ao longo do vídeo, Gayer cita a palavra “fugir” três vezes.
Após a confirmação da saída de Flávio do país, vídeos e declarações antigas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), feitas em abril de 2018, voltaram a repercurtir nas redes sociais. Internautas e militância resgataram o discurso em que o petista afirmou que não fugiria do país para evitar a prisão, o que inflamou comparações entre as decisões dos dois políticos.
Na ocasião, no dia 07 daquele mês, Lula discursou no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), antes de se apresentar à Polícia Federal para cumprir um mandado de prisão expedido pelo então juiz Sergio Moro. Durante a fala, o ex-presidente relatou ter recebido sugestões para deixar o território brasileiro e buscar asilo político em países vizinhos.
“Eu estava no Uruguai, entre Livramento e Rivera, e as pessoas diziam assim, ‘ô, Lula, você finge que vai comprar um “uisquizinho”, e você vai para o Uruguai com o Pepe Mujica e vai embora e não volta mais, pede asilo político'”, disse, à época. Lula também mencionou que pessoas próximas sugeriram que ele procurasse abrigo em embaixadas da Bolívia, do Uruguai e da Rússia.
Entretanto, afirmou que havia decidido permanecer no Brasil e enfrentar pessoalmente os acusadores, mesmo considerando injusta a condenação. “Eu não tenho mais idade [para fugir].
Minha idade é de enfrentá-los com olho no olho e eu vou enfrentá-los aceitando cumprir o mandado”, afirmou. Em outro momento do discurso, o petista explicou que não queria ser tratado como foragido e que pretendia demonstrar a inocência perante a Justiça.
Ele reconheceu que preferia não ser preso, mas declarou que cumpriria a determinação judicial para não alimentar acusações de que estaria escondido. “Eu não estou escondido, eu vou lá na ‘barba deles’ pra eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr, e para eles saberem que eu vou provar minha inocência, comentou em um trecho do discurso.
Apesar das comparações feitas nas redes, os episódios apresentam situações jurídicas distintas, já que Lula tinha um mandado de prisão expedido contra ele, após condenações na 13ª Vara Federal de Curitiba e Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) — que posteriormente foram anuladas.
Por outro lado, Flávio é investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que investigam os repasses para o filme Dark Horse e suposta lavagem de dinheiro em parceria com Willer Tomaz, mas não possui condenação criminal ou eleitoral transitada em julgado.
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