Ao realizar uma operação nesta semana contra a democrata e candidata por Minnesota, Ilhan Omar, o governo Trump quebrou uma 'regra não escrita' que existe há anos, a de evitar operações contra congressistas e candidatos faltando 60 dias ou menos das eleições. No caso, as eleições de meio de mandato ocorrem no início de novembro. Segundo essa regra, que não é uma lei, historicamente, os procuradores federais se abstêm de tomar medidas públicas em casos politicamente delicados, como a execução de mandados de busca e apreensão ou a apresentação de denúncias, no período que antecede uma eleição. O objetivo dessa regra não escrita, também conhecida como 'período de silêncio', é garantir que as ações das forças de segurança não influenciem as eleições e não sejam percebidas como tentativas de manipulá-las. Autoridades do governo defenderam o momento da busca e observaram que um juiz aprovou o mandado usado para justificá-la. Os democratas criticaram a medida, e especialistas jurídicos questionaram a decisão de agir apenas algumas semanas antes da votação. A investigação apura, segundo o jornal Washington Post, se Omar ou seu pai podem ter mentido em formulários governamentais décadas atrás para obter status legal e cidadania americana. Nascida na Somália, Omar fugiu da guerra civil do país com sua família quando era jovem e imigrou para os Estados Unidos em 1995. Ela se naturalizou cidadã americana em 2000. A Homeland Security Investigations, o braço investigativo do Departamento de Segurança Interna, realizou uma busca na casa de Omar, no nordeste de Washington, no início da manhã . O Departamento de Justiça confirmou que obteve um mandado judicial para a ação policial naquela manhã. Omar venceu as primárias democratas para o 5º Distrito Congressional de Minnesota em agosto e busca seu quinto mandato representando Minneapolis. A eleição geral será em novembro, e espera-se que Omar seja reeleita neste distrito predominantemente democrata. Ilhan Omar disse que 'não se deixará silenciar' e classificou a busca em sua casa em Washington como parte da campanha de 'intimidação' do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos Divulgação/Casa Branca Ela disse que estava sendo alvo de ataques por ser considerada uma das 'inimigas políticas' do republicano. Isso ocorre depois que Trump atacou a congressista durante um comício em Youngstown, Ohio, na noite passada. Ele disse que a Somália, onde Omar nasceu, é 'um dos piores países do planeta'. 'Ela vem de um dos piores países do planeta. Que bagunça eles fizeram'. Ele pediu para seus apoiadores a votarem nos republicanos 'se quiserem impedir que Ohio seja saqueado, pilhado e destruído como Minnesota está sendo destruído'. Em resposta, a multidão de apoiadores republicanos gritou: 'Deportem, deportem' A agência de crimes internos tem jurisdição sobre crimes federais, incluindo fraude em documentos de imigração, fraude de identidade e fraude em benefícios de imigração. Ao contrário das operações da ICE, que são focadas em deportações, os agentes especiais da HSI conduzem investigações criminais e executam mandados de busca federais. Em comunicado, o Departamento de Justiça confirmou que a HSI cumpriu um mandado de busca e apreensão obtido pelo Departamento de Justiça. O comunicado afirmou que a ação fazia parte de uma investigação criminal federal em andamento. O chefe da guarda de fronteiras, Tom Homan, disse em setembro que havia uma 'investigação criminal em andamento' contra a congressista. 'Estou confirmando que o ICE está, sim — veja, eu disse meses atrás que há algo que foi relatado e precisa ser investigado', disse Homan à Fox News em setembro . Omar afirmou na época que não havia sido contatada em relação a nenhuma investigação.
Governo Trump quebra 'regra' de evitar operações contra candidatos para não influenciar eleições
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