O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou na terça-feira (27) um compromisso condicional de empréstimo de até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) para ampliar a potência de 15 reatores em oito usinas de Illinois, Maryland e Pensilvânia, com ganho somado de 1,1 gigawatt.
O risco de crédito é federal. A energia adicional, não.
As usinas pertencem à Constellation Energy, operadora da maior frota nuclear comercial do país, e os compradores que já apareceram para o megawatt extra são a Amazon, o Google e a Meta. Três anúncios bilionários em um mês
O dinheiro sai pelo Escritório de Financiamento da Dominância Energética, o antigo Escritório de Programas de Empréstimos do departamento, rebatizado no governo de Donald Trump. É o terceiro compromisso da ordem de bilhões de dólares em um mês envolvendo a mesma empresa.
Em 30 de setembro, a Constellation fechou contrato de compra de energia com a Amazon para viabilizar uma ampliação de 190 megawatts em Calvert Cliffs, usina de Maryland com 1.790 megawatts. Em 6 de outubro, anunciou investimento de US$ 4,3 bilhões em parceria com o Google para elevar em 890 megawatts a capacidade de 11 usinas.
Na lista do governo, ao menos seis das oito usinas podem receber dinheiro de mais de uma fonte. São Limerick, na Pensilvânia, e Braidwood, Byron, LaSalle, Quad Cities e Calvert Cliffs.
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O porta-voz Paul Adams explicou que a repotenciação consiste em instalar equipamentos e tecnologias mais eficientes para extrair mais megawatts da mesma planta. A quinta usina apoiada pelo Departamento de Energia em Illinois, Clinton, já estava na fila para um ganho de 30 megawatts fechado em 2025 com a Meta.
Não está esclarecido se o empréstimo federal vai bancar exatamente os mesmos projetos das três empresas de tecnologia ou ampliações adicionais. A Constellation não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
A empresa afirmou que o anúncio, por si só, não representa decisão final de levar adiante qualquer ampliação específica nem todas as usinas em análise. Descreveu o compromisso como algo que se soma aos bilhões de dólares de investimento privado já aplicados nos projetos.
Repotenciar custa uma fração de um reator novo Se as ampliações saírem, o ganho de 1,1 gigawatt equivale ao de um reator AP1000 novo, a custo muito menor.
Os Estados Unidos construíram apenas dois AP1000, ambos na Geórgia, por mais de US$ 30 bilhões somados. O segundo reator da Geórgia saiu cerca de 30% mais barato que o primeiro, diferença que a indústria usa para prever queda de custo à medida que mais obras avancem e a mão de obra ganhe prática.
O governo Trump quer dez reatores grandes em construção até 2030 e a quadruplicação da capacidade nuclear do país até 2050. Em setembro, disse que apoiaria seis AP1000 e dois reatores de projeto sul-coreano de porte parecido, dentro de um acordo comercial de US$ 350 bilhões com a Coreia do Sul.
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O compromisso é condicional. O governo sinaliza que assume parte do risco caso o projeto não decole.
Crédito aprovado não é desembolso, e anúncio não é execução. A conta pública existe porque a ampliação depende de decisão privada.
Em contratos como os assinados com Amazon, Google e Meta, a energia adicional sai por acordo direto entre as partes, sem leilão regulado. O prêmio fica com quem vende o megawatt.
O risco de crédito fica com o Tesouro americano. A energia nuclear responde por quase um quinto da eletricidade dos Estados Unidos, e o parque atual não varia com o clima, atributo decisivo para quem precisa de carga constante, como os centros de dados.
A capacidade extra já tem destino negociado, em contratos de longo prazo com corporações de tecnologia. Não há anúncio de que ela vá para redes públicas ou para baratear a tarifa residencial em Illinois, Maryland e Pensilvânia.
O paralelo brasileiro O Brasil opera cerca de 2 gigawatts em Angra 1 e Angra 2, no litoral do Rio de Janeiro.
O ganho aprovado nesta semana nos Estados Unidos, de 1,1 gigawatt, equivale a mais da metade de tudo que o país gera por fissão. Angra 3, que começou a ser construída nos anos 1980 e nunca entrou em operação, mostra o custo de fazer reator novo do zero.
Repotenciar o que já existe é a saída que o governo americano escolheu para ganhar tempo até 2030. A decisão que sobra é da Constellation, usina por usina.
Até ela sair, os US$ 5 bilhões seguem como promessa. O contribuinte americano entra com a garantia.
A Amazon, o Google e a Meta entram com o contrato.
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