O Governo de Minas montou um comitê para articular, junto com prefeituras e órgãos estaduais, uma série de ações para enfrentar o super El Niño, que está no pico de intensidade sobre o estado. Segundo governo, no momento, há mais de 90% de chance de que o fenômeno se apresente na escala chamada “super forte”, com máxima probabilidade de impactos severos no clima.
Em entrevista coletiva, nesta terça-feira, o coordenador estadual de Defesa Civil de Minas e chefe do Gabinete Militar do Governador, coronel Paulo Rezende, disse que o El Niño tem se caracterizado por extremos climáticos, como a antecipação do período chuvoso para setembro, com vendavais no interior do estado e expectativa para as próximas semanas de um veranico, caracterizado por diversos dias consecutivos de calor e seca seguidos por tempestades. Segundo o coronel, os impactos dessas mudanças climáticas extremas poderão ser sentidas na saúde e na economia, com consequências para as lavouras, por exemplo. Por isso, ele afirma que os municípios precisam se preparar. "Tem sido nosso grande esforço nos últimos dois períodos e a gente conseguiu formar mais de seis mil agentes municipais. E isso não passa só pelo monitoramento, passa também a fazer o mapeamento de área de risco, estabelecer plano de contingência, fazer monitoramento constante das condições da comunidade que tem potencial para ser atingida conforme o mapeamento de risco que foi realizado." Coordenado pelo Gabinete Militar do Governador, o Comitê inclui as secretarias de Estado de Meio Ambiente, Agricultura,Desenvolvimento Social, Educação, Saúde e Infraestrutura, além do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Cemig. O objetivo é fazer com que essa estrutura elimine gargalos burocráticos e facilite a resposta conjunta e suporte direto aos municípios. As ações previstas vão desde a distribuição de água potável a comunidades afetadas pela seca ao monitoramento de riscos de inundação e deslizamentos em Minas Gerais. Entretanto, conforme o Coronel Rezende, a colaboração da população é fundamental para que todos fiquem seguros. "É se envolver, conhecer e acreditar que o risco muitas vezes, por mais que não esteja saltando aos olhos, ele existe. A gente sempre fala, a gente tem óbitos evitáveis nesse período. É não sair de casa para comprar o pão naquele momento. A gente teve óbitos nos últimos períodos chuvosos, entre eles de um casal que entrou para brincar dentro da água, a rua tava tomada de água, ele entrou e não voltou. A pessoa que tentou transpôr um curso de água a cavalo, mesmo com a comunidade pedindo pra ele não ir, ele foi e não voltou Então o papel da população é conhecer, se informar." Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas na porção equatorial do Oceano Pacífico, o El Niño tem capacidade de alterar ventos, bloquear frentes frias e potencializar eventos severos. Em 2026, o fenômeno é um dos mais fortes já registrados em mais de 70 anos.
CBN