Goiás contabiliza 8.067 casos confirmados de Covid-19 e 23 mortes pela doença em 2026, conforme levantamento realizado pelo Jornal Opção no painel epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Os números chamam a atenção em meio ao avanço do coronavírus no Brasil, que registra seis semanas consecutivas de aumento nos casos e apresenta sinais de crescimento das internações, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A alta nos casos da doença foi identificada pelo Ministério da Saúde em 19 unidades da Federação, incluindo Goiás. Apesar desse cenário, a pasta mantém a classificação de baixo risco para a atividade da Covid-19 em todo o país.
Na capital, Goiânia, o painel contabiliza 1.435 casos confirmados e cinco mortes neste ano. Em todo o estado, crianças menores de dez anos concentram o maior número de infecções, com 1.878 registros, enquanto os idosos representam a maioria das vítimas fatais.
Das 23 mortes, 19 ocorreram entre pessoas com 60 anos ou mais. Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente da Sociedade Goiana de Infectologia, Christiane Kobal, destacou que a Covid-19 nunca deixou de circular no país e atribuiu o aumento dos registros à baixa adesão à vacinação.
Por que nós estamos vendo um aumento? Porque as pessoas não vacinam. Só por isso”, afirmou.
Presidente da Sociedade Goiana de Infectologia, Christiane Kobal | Foto: Reprodução Segundo a infectologista, parte da população ainda considera que a imunização realizada durante os primeiros anos da pandemia é suficiente para garantir proteção contra a doença.
Contudo, a médica alerta que a proteção imunológica diminui com o passar do tempo, tornando necessária a atualização vacinal conforme as recomendações de cada grupo. Crianças concentram maior número de casos em Goiás
Entre as faixas etárias, crianças com menos de dez anos apresentam o maior número de infecções confirmadas em Goiás, com 1.878 registros. Em seguida aparecem os adultos de 30 a 39 anos, com 1.111 casos, e de 20 a 29 anos, com 1.109.
Para a médica, o alto índice de casos em menores representa uma negligência dos pais em imunizar os seus filhos. Apesar da maior concentração de casos entre crianças, os idosos representam a maior parcela das mortes.
Das 23 vítimas registradas em Goiás, 12 tinham 80 anos ou mais, enquanto quatro estavam na faixa de 70 a 79 anos e três entre 60 e 69 anos. Somadas, as pessoas com 60 anos ou mais representam 19 das 23 mortes confirmadas, aproximadamente 82,6% do total.
A taxa de letalidade estadual da doença é de 0,29%, conforme os dados da SES-GO. Para Christiane, a concentração de mortes entre idosos evidencia a importância da vacinação dos grupos mais vulneráveis.
A infectologista também lamentou que o estado continue registrando mortes por uma doença para a qual existem imunizantes gratuitos na rede pública. “Os pais têm que entender que têm que levar o filho ao posto de saúde e as pessoas acima de 60 anos, elas têm que entender que elas precisam da vacina”, disse.
O painel também registra 193 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Covid-19. Entre os pacientes confirmados com a doença, as condições de saúde associadas mais frequentes são doenças respiratórias, com 660 registros, doenças cardiovasculares, com 210, e diabetes, com 172.
Segundo Christiane, pessoas com doenças cardiovasculares apresentam maior risco de complicações quando infectadas pelo coronavírus. Além de agravar condições preexistentes, a Covid-19 também pode comprometer outros órgãos, como coração e rins.
“As pessoas acham que a Covid é uma virose pulmonar, mas não é. A Covid é uma virose sistêmica, então você pode ter meningite pelo vírus da Covid, pode ter miocardite pelo vírus da Covid, pode ter pericardite”, explicou.
Crescimento é identificado em 19 unidades da Federação O levantamento do Ministério da Saúde aponta tendência de crescimento dos casos de Covid-19 em 19 unidades da Federação, incluindo Goiás, considerando as seis semanas epidemiológicas encerradas em 31 de outubro.
A alta foi identificada nas cinco regiões brasileiras e atinge diferentes faixas etárias. Em todo o país, foram registradas 118.851 notificações de síndrome gripal por Covid-19 desde o início de 2026, conforme dados atualizados até 4 de novembro.
O número não representa a totalidade das infecções, uma vez que parte dos casos não é diagnosticada ou notificada. Outro indicador que reforça a circulação do coronavírus é o aumento da proporção de testes positivos realizados por laboratórios privados, que apresenta crescimento há nove semanas consecutivas.
Segundo o boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado na quinta-feira, 5, há sinais de aumento dos casos graves de Covid-19 em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Em Mato Grosso, o coronavírus aparece como um dos principais responsáveis pelo crescimento dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Até 31 de outubro, o Brasil contabilizava 3.479 hospitalizações por SRAG com detecção do coronavírus e 437 mortes de pacientes com quadros graves nos quais o vírus foi identificado. Apesar do crescimento, o Ministério da Saúde mantém a classificação de baixo risco para a atividade da Covid-19 em todas as unidades da Federação.
A Fiocruz também destaca que a incidência de casos graves permanece baixa. Tratamento antiviral está disponível no SUS
Além da vacinação, Christiane destacou a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento antiviral para pacientes com maior risco de desenvolver complicações. Segundo a médica, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente o medicamento Paxlovid, utilizado no tratamento da Covid-19 em pacientes que atendem aos critérios clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
A infectologista ressaltou que o tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível após o aparecimento dos sintomas, mediante avaliação e prescrição médica. “Será que esse cidadão que faleceu ou essa pessoa que teve um desconforto respiratório, o médico diagnosticou precocemente, fez o exame precocemente, passou antiviral para essas pessoas?”, questionou.
Christiane também orientou que os pacientes procurem atendimento médico logo após o surgimento dos primeiros sintomas, principalmente quando pertencem aos grupos de maior risco. “Temos um remédio que mata o vírus e esse remédio existe nos postos de saúde de todo o Brasil”, afirmou.
A vacinação continua sendo a principal medida de prevenção contra hospitalizações e mortes pela doença. Pelo Calendário Nacional de Vacinação, idosos a partir de 60 anos devem receber doses semestrais contra a Covid-19, enquanto gestantes têm recomendação de vacinação a cada gravidez.
Crianças pequenas e outros grupos prioritários seguem esquemas específicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Leia também:
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