A gameleira localizada na Rua José Hermano, no Setor Campinas, em Goiânia, começou a ser removida nesta quarta-feira, 4, após avaliações técnicas apontarem que a árvore provoca danos estruturais em um imóvel vizinho e compromete a circulação de pedestres. A retirada deve durar aproximadamente dez dias e será acompanhada pelo plantio de uma nova espécie no local.
Parte da madeira será destinada a leilão, enquanto os galhos menores serão transformados em material para compostagem. A substituição foi autorizada pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e respaldada por um laudo técnico solicitado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO).
O documento concluiu que medidas alternativas, como a poda das raízes e a adaptação da calçada, não seriam suficientes para solucionar os problemas provocados pela árvore. As raízes da gameleira ocupam toda a extensão do passeio público, avançam sobre a pista e já causaram danos à parede, ao telhado e à garagem de uma residência próxima.
Segundo a agente ambiental da Amma, Wanessa de Castro, a espécie não é indicada para o plantio em calçadas devido às características de seu sistema radicular. Dano causado pela gameleira | Foto: divulgação
“Aqui, podemos ver que as raízes foram podadas, o que compromete a fixação e o desenvolvimento da árvore. Verificamos o comprometimento da acessibilidade e a interferência nas estruturas adjacentes, então a Amma optou pela substituição, que é o que está previsto em lei”, explicou.
O caso é acompanhado pela 8ª Promotoria de Justiça de Goiânia, que solicitou, em setembro, uma perícia para verificar a possibilidade de preservar a árvore. A conclusão técnica foi favorável à remoção e ao plantio de uma espécie mais adequada ao ambiente urbano.
A autorização para o corte havia sido concedida em 2024 e foi ratificada em agosto deste ano, após uma nova vistoria. A medida está prevista na Lei Complementar nº 374/2024, que permite a retirada de árvores quando há obstrução total de calçadas ou danos estruturais a edificações próximas.
Madeira será leiloada e galhos utilizados na compostagem Apesar do porte da gameleira, a madeira não poderá ser aproveitada na fabricação de bancos, pergolados ou outros mobiliários utilizados em praças públicas de Goiânia.
Isso ocorre porque a espécie apresenta madeira leve e porosa, considerada inadequada para os trabalhos de serraria e marcenaria realizados pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que exigem materiais mais densos e resistentes. Diante dessas características, o material retirado terá duas destinações.
Os galhos mais finos serão triturados e encaminhados para compostagem, processo que permite o aproveitamento de resíduos orgânicos. Já o tronco e as partes mais grossas da árvore serão destinados a um leilão de madeiras.
A operação envolve aproximadamente 100 trabalhadores da Comurg, sendo 60 integrantes da Gerência de Poda e Extirpação e outros 40 responsáveis pela remoção dos resíduos, varrição e serviços complementares. Os trabalhos ocorrerão diariamente, inclusive aos finais de semana, das 7h às 22h.
O prazo previsto para a conclusão é de dez dias, mas poderá sofrer alterações conforme as condições climáticas. Segundo o diretor de Serviços e Negócios da Comurg, José Antônio Nunes, a retirada será realizada por etapas, com auxílio de um guindaste de grande porte para sustentar e baixar os segmentos cortados.
“Estamos na etapa preliminar da atividade, na qual fazemos uma poda de limpeza, que é uma preparação para podermos entrar com os grandes equipamentos. Após isso, os guindastes podem acessar o tronco e iniciamos os cortes nos galhos maiores.
Por fim, nos troncos e raízes aéreas”, detalhou. Caso sejam encontrados ninhos de aves, colmeias de abelhas nativas ou outros animais, os trabalhos serão interrompidos para avaliação da equipe de proteção e manejo de fauna da Amma.
Nova árvore será plantada no local Após a retirada da gameleira e de suas raízes, uma escumilha-africana será plantada no mesmo local como compensação ambiental.
A muda será fornecida pela Amma, enquanto o proprietário do imóvel ficará responsável pelo plantio e pela manutenção da nova árvore durante pelo menos 12 meses, conforme determina a legislação municipal. Interdições afetam trânsito e linhas de ônibus
A retirada também provocou mudanças na circulação de veículos no Setor Campinas. Desde a noite de terça-feira, 3, o cruzamento das ruas José Hermano e Santa Bárbara está interditado.
Na Rua Santa Bárbara, os bloqueios próximos às ruas do Mercado e Formosa permitem apenas o acesso local. Na Rua José Hermano, a restrição ocorre nas proximidades da Rua do Acre.
Quatro linhas de ônibus tiveram os trajetos modificados. As linhas 168, 174 e 315 passaram a circular pelas ruas do Acre, Formosa e 8, antes de retornar à Rua José Hermano.
Já a linha 176 utiliza as ruas 1, 8 e Desembargador Vicente Miguel, retomando o itinerário pela Rua do Mercado. A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) mantém agentes na região para orientar os motoristas.
A Equatorial também acompanha a operação devido à proximidade da rede elétrica, mas não há previsão de interrupção no fornecimento de energia. Leia também: Após shows cancelados no Nordeste, Jorge nega declarações ofensivas e diz ter respeito pelo povo nordestino
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