Paraguai: clientes enfrentam desespero e agências fechadas após crise no sistema bancário

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição financeira Ueno Bank desencadeou uma crise política sem precedentes no país vizinho, culminando na renúncia do presidente Santiago Peña e de dirigentes monetários em meio a protestos populares, conforme noticiado pelo G1.

O colapso do banco digital gerou desespero generalizado entre correntistas, especialmente parcelas de baixa renda que utilizavam o serviço como principal ferramenta financeira, afetando também cidadãos estrangeiros residentes na capital Assunção e em regiões de fronteira. Intervenção e tumulto nas agências bancárias em Assunção

O impacto imediato da medida do Banco Central paraguaio foi sentido nas primeiras horas da manhã de terça-feira (3), quando milhões de clientes perderam o acesso às suas contas digitais. O exportador de grãos brasileiro Pedro Bergallo, residente em Assunção há sete anos, relatou o clima de caos e incerteza que tomou conta das ruas do país logo após a divulgação do fechamento das agências físicas.

“As pessoas se desesperaram. Foi um tumulto muito grande.

As pessoas se dirigiram até a frente das agências e, quando chegaram, se depararam com uma carta colada nos vidros das agências com uma carta do Banco Central explicando o porquê do fechamento”, afirmou o produtor rural ao detalhar a surpresa da população com a decisão repentina.

Impacto severo sobre famílias de baixa renda e pequenos correntistas Embora o empresário brasileiro tenha conseguido recuperar os recursos retidos após cerca de dois dias, a situação da maioria dos cidadãos expôs a vulnerabilidade econômica de grande parte dos paraguaios.

A falta de alternativas financeiras imediatas agravou a situação social durante o período de instabilidade institucional que se seguiu à intervenção regulatória. “Gerou uma calamidade pública.

As pessoas passaram a entrar em desespero, principalmente quem não tinha plano B ou C em outras instituições financeiras. Teve muita gente de baixa renda que depositou sua confiança e seu dinheiro nesse banco”, destacou Bergallo, enfatizando que o Ueno havia se tornado o principal destino de recursos para camadas populares que antes dependiam estritamente de dinheiro físico.

Expansão agressiva do Ueno Bank antecedeu queda institucional A derrocada do Ueno ocorreu após um período de rápida expansão comercial iniciada nos anos anteriores, período em que a instituição buscou modernizar um mercado financeiro considerado arcaico pelo uso predominante de transferências tradicionais lentas e dinheiro em espécie.

A estratégia incluiu campanhas massivas de atração de clientes e facilitação de crédito a partir de 2024. “Ele lança uma campanha massiva de criação de contas em 2024 e 2025.

Começaram a liberar crédito com condições muito vantajosas. Muita gente usufruiu disso, inclusive eu.

Tinha políticas de desconto muito efetivas em quase todas as lojas do país, posto de combustíveis, supermercado, shopping, cinema, tinha um desconto quase que inigualável em todos os estabelecimentos comerciais do país”, pontuou o brasileiro. Reviravolta política culmina em prisões e queda do governo

O desfecho da crise econômica resultou em drásticas consequências institucionais em um intervalo de poucos dias, envolvendo a prisão de dirigentes e a saída abrupta do comando do Poder Executivo em meio à pressão popular e parlamentar por responsabilização. “Qual é o resultado prático da questão do banco Ueno? Oito diretores presos, o presidente da República impeachmado e o presidente do Banco Central fora também.

Imagina: em apenas três dias a gente tem essa quantidade de acontecimentos”, concluiu Pedro Bergallo ao dimensionar a velocidade dos desdobramentos políticos no Paraguai.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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