O fundo da ONU para perdas e danos climáticos decidiu nesta quinta-feira (22) destinar 20 milhões de dólares (R$ 100,7 milhões) em ajuda ao Nepal, afetado por graves inundações, em sua primeira reserva de recursos para um país.
Em uma reunião extraordinária, o conselho de administração do fundo concordou em conceder o valor ao país do Himalaia, que sofreu, no fim de agosto, uma avalanche de gelo e rochas que deixou mais de 1.400 mortos e mais de 5.000 desaparecidos.
Camila Rodríguez, copresidente dominicana do conselho, classificou o resultado como "verdadeiramente histórico" e agradeceu aos integrantes do órgão, no qual os países em desenvolvimento são maioria, pela resposta ao pedido do Nepal.
O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, declarou à AFP: "O fato de terem conseguido convocar esta reunião de emergência em resposta à nossa carta e comprometer 20 milhões de dólares em recursos não reembolsáveis é muito bem-vindo".
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A decisão, no entanto, não significa que o Nepal receberá imediatamente o financiamento, que equivale a menos de 0,5% dos 4,78 bilhões de dólares (R$ 24,1 bilhões) que o governo estima serem necessários para a reconstrução do país.
Vinte milhões de dólares é o valor máximo que os países podem solicitar em um único pedido.
O Nepal terá primeiro que apresentar uma proposta, que precisará ser aprovada pelo conselho de administração do fundo. Não há um cronograma definido para esse processo.
A criação do "Fundo para Responder a Perdas e Danos" foi uma conquista difícil dos países em desenvolvimento, recebida com aplausos de pé nas conferências climáticas da ONU de 2022 e 2023 (COP27 e COP28).
O fundo surgiu das reivindicações por "reparações climáticas" dirigidas aos países historicamente responsáveis pelas maiores emissões. No entanto, desde que começou a operar, nenhum dólar foi desembolsado.
Folha de Pernambuco