Bernie Sanders e democratas dos EUA cobram de Zuckerberg explicação sobre atuação da Meta nas eleições brasileiras

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O senador Bernie Sanders e mais de dez parlamentares democratas dos Estados Unidos cobraram explicações do presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, sobre denúncias de tratamento desigual às campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa. Deputados enviaram uma carta nesta quinta-feira (22), às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para domingo (25), e questionaram possíveis restrições à circulação de conteúdos favoráveis ao petista, enquanto publicações relacionadas ao senador teriam recebido maior visibilidade. O documento teve o seu teor publicado pelo G1.

“Estamos profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital”, afirmou o documento.

A deputada democrata Pramila Jayapal liderou a iniciativa, que reuniu a adesão de outros dez deputados e do senador Bernie Sanders. Os congressistas manifestaram preocupação com relatos de possíveis interferências na distribuição e recomendação de publicações políticas nas redes sociais da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp.

A carta destacou a responsabilidade das empresas de tecnologia em assegurar condições de igualdade entre candidatos durante processos eleitorais. Os parlamentares argumentaram que os mecanismos de distribuição de conteúdo poderiam comprometer o equilíbrio da disputa caso aplicassem critérios diferentes às campanhas.

Os congressistas solicitaram esclarecimentos sobre os procedimentos adotados pela Meta para moderar conteúdos políticos e determinar o alcance das publicações. A iniciativa também buscou informações que permitissem avaliar a atuação dos sistemas utilizados pela companhia durante a campanha presidencial brasileira.

Parlamentares questionaram atuação da Meta às vésperas do segundo turno

A manifestação dos políticos estadunidenses ampliou a repercussão internacional das denúncias apresentadas pela campanha de Lula à Justiça Eleitoral brasileira.

Entre os episódios que motivaram os questionamentos estavam relatos de dificuldades para distribuir conteúdos relacionados ao presidente nas plataformas digitais e suspeitas de maior exposição de publicações associadas ao candidato Flávio Bolsonaro.

Os parlamentares também cobraram transparência sobre os critérios de moderação e recomendação de conteúdos políticos. A carta levantou a necessidade de acesso a informações e de uma avaliação independente sobre a atuação das ferramentas da empresa.

As suspeitas alcançaram tanto a distribuição de publicações quanto o funcionamento de recursos de inteligência artificial. A discussão ganhou força depois que usuários identificaram diferenças nas respostas da Meta AI a pedidos de criação de materiais eleitorais.

Inteligência artificial do WhatsApp gerou denúncias de tratamento desigual

Nos dias anteriores ao envio da carta, usuários do WhatsApp relataram que a ferramenta de inteligência artificial da Meta recusava solicitações para produzir imagens relacionadas à campanha de Lula, mas atendia a pedidos semelhantes com referências a Flávio Bolsonaro.

Testes realizados pelo Projeto Comprova confirmaram diferenças nas respostas do sistema. A ferramenta bloqueou comandos com o nome de Lula e permitiu a produção de imagens com o primeiro nome de Flávio, sem o sobrenome Bolsonaro.

A situação levou a campanha do presidente a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o argumento de que os filtros da plataforma aplicavam critérios diferentes aos dois presidenciáveis. 

A controvérsia também envolveu os mecanismos de recomendação e distribuição de publicações no Facebook e no Instagram. A campanha petista questionou possíveis restrições ao alcance de suas mensagens durante o período eleitoral.

A diferença identificada nas respostas da inteligência artificial levantou dúvidas sobre os critérios utilizados pela empresa, mas, por si só, não comprovou intenção deliberada de favorecer uma candidatura.

TSE determinou tratamento igualitário entre os candidatos

Em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a Meta adotasse tratamento igualitário na distribuição de conteúdos relacionados aos candidatos à Presidência.

A decisão proibiu restrições desiguais à circulação de publicações, recomendações e resultados de buscas nas plataformas da companhia. O magistrado também estabeleceu multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.

Ao analisar o episódio envolvendo a inteligência artificial, o ministro identificou indícios de falha no sistema, mas ressaltou que os elementos disponíveis não permitiam concluir que a empresa havia provocado deliberadamente o bloqueio de conteúdos favoráveis a Lula.

A Meta afirmou que havia adotado medidas para impedir a geração de imagens eleitorais tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro. A companhia também informou que havia ampliado as restrições para comandos que utilizassem apenas o primeiro nome dos candidatos e os respectivos números de urna.

Na terça-feira (20), representantes da empresa participaram de uma reunião com o TSE e integrantes das duas campanhas presidenciais. A companhia informou que havia cumprido as determinações da Justiça Eleitoral para assegurar tratamento igualitário no segundo turno.

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