247 – O formato e a condução do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado pela Rede Bandeirantes neste domingo (18), provocaram uma série de críticas nas redes sociais. Jornalistas, parlamentares e internautas questionaram a decisão da emissora de permitir longos períodos de confronto livre entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), sem temas previamente determinados e sem mecanismos de checagem de informações em tempo real.
O encontro, realizado nos estúdios da Band, em São Paulo, foi dividido em três blocos, com perguntas de jornalistas e momentos de embate direto. As regras, definidas previamente pela emissora e por representantes das campanhas, concederam liberdade aos candidatos para administrar o tempo de fala e circular pelo palco. Na avaliação de críticos do modelo, a dinâmica abriu espaço para interrupções, provocações pessoais e acusações, prejudicando a discussão de propostas de governo.
O jornalista e comentarista Chico Barney resumiu sua insatisfação com a organização do programa em uma publicação na rede social X. “Formato absurdo de debate.”, escreveu.
A jornalista Hildegard Angel também criticou a emissora, recorrendo a um trocadilho para questionar a maneira como o encontro foi conduzido. “É Band ou é Bandalha? O povo quer saber.”, publicou.
As manifestações refletiram o descontentamento com a dinâmica adotada no primeiro confronto direto entre os dois presidenciáveis.
Tabata Amaral critica ausência de checagem de fatos
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) foi uma das vozes que questionaram o modelo escolhido pela emissora. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar associou a ausência de checagem de informações à escalada de ataques durante o encontro.
“O formato “vale-tudo” e sem checagem de fatos transformou o debate de hoje em rinha.”, afirmou.
Tabata também criticou o comportamento de Flávio Bolsonaro, sustentando que o ambiente de confronto permitiu ao senador evitar explicações sobre questionamentos envolvendo sua trajetória política e patrimonial.
“Isso é um prato cheio para o Flávio: ele usa a baixaria como cortina de fumaça para não ter que explicar a rachadinha, suas mansões e a relação com Vorcaro.”, escreveu a deputada.
Na sequência, acrescentou: “O caos favorece quem tem o que esconder. Ainda assim, a diferença de preparo ficou clara. Seguimos focados nas propostas que vão realmente mudar a vida do brasileiro.”
As declarações da parlamentar fazem referência a controvérsias envolvendo o senador e a questionamentos sobre suas relações políticas e financeiras, assuntos que também apareceram durante o debate. As acusações mencionadas por Tabata correspondem à avaliação da deputada e não representam conclusões estabelecidas pelo programa.
O vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ) também se manifestou contra a estrutura adotada pela Band, especialmente pela ausência de delimitação temática no confronto direto entre os candidatos.
“Formato terrível desse debate colocando Lula em um confronto livre SEM TEMA contra um mentiroso em série.”, publicou o parlamentar, utilizando a hashtag #DebateNaBand.
Confronto livre concentrou críticas à organização
Um dos principais pontos de contestação foi a liberdade concedida aos candidatos para direcionar os assuntos discutidos durante o programa. O modelo permitiu que Lula e Flávio alternassem perguntas, respostas e acusações sem a obrigação de permanecer em um tema específico durante determinados momentos.
A dinâmica contrastou com formatos de debates eleitorais que estabelecem assuntos previamente definidos, como economia, saúde, educação e segurança pública, ou distribuem o tempo de maneira mais rígida para perguntas, réplicas e tréplicas.
A mediação ficou a cargo dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. Ao longo do programa, os dois candidatos protagonizaram momentos de confronto direto, com questionamentos sobre corrupção, investigações e familiares.
A própria movimentação dos participantes pelo cenário também se tornou parte do embate. Em determinados momentos, Flávio Bolsonaro se posicionou atrás de Lula e fez gestos durante as intervenções do presidente, comportamento que provocou questionamentos sobre os limites da interação entre os candidatos.
O caráter acalorado do encontro também foi observado por analistas políticos. Em avaliação publicada pela Folha de S.Paulo, o jornalista Igor Gielow apontou que o formato favoreceu embates voltados à produção de vídeos curtos para circulação nas redes sociais, enquanto temas relacionados à administração do país receberam menos atenção.
Debate ocorreu a uma semana do segundo turno
O encontro da Band representou a primeira oportunidade de confronto presencial entre Lula e Flávio Bolsonaro na campanha presidencial de 2026. Os dois disputam o segundo turno no próximo domingo, 25 de outubro.
Brasil 247