Evento Ponte de Palavras reúne mais de 50 convidados em palestras, oficinas e atividades voltadas para todas as idades A relação dos brasileiros com os livros enfrenta desafios nos últimos anos, mas também encontra caminhos de renovação por meio do incentivo cultural.
Segundo dados da mais recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, elaborada pelo Instituto Pró-Livro, cerca de 53% da população brasileira é considerada não leitora. O levantamento reflete a necessidade urgente de ações que aproximem a população do universo literário, democratizem o acesso aos livros e estimulem a formação de novos leitores desde a infância.
Na busca por essa mudança, Florianópolis se prepara para sediar uma iniciativa voltada a integrar leitura, convivência e reflexão sobre o espaço urbano. Ponte de Palavras é um encontro literário que acontecerá nos dias 13, 14 e 15 de novembro em três importantes espaços culturais localizados no centro da cidade: Casa Hurbana, Palácio Cruz e Sousa (sede do Museu Histórico de Santa Catarina) e Casa da Literatura Catarinense.
Com uma agenda totalmente gratuita, a programação estruturada prevê mesas de debates, encontros com autores consagrados, oficinas de desenho e escrita, contações de histórias, apresentações artísticas, saraus e feiras de livros ao longo dos três dias. A curadoria do evento buscou desenhar uma grade temática que conecta a produção literária contemporânea com questões fundamentais do mundo moderno, como as transformações urbanas, a economia, a memória, a ancestralidade e os direitos humanos.
Patricia Auerbach, autora de obras para as infâncias, idealizadora da Redelê e curadora do Ponte de Palavras, explica seu planejamento: “A programação foi construída para aproximar diferentes gerações de leitores e criar conversas entre a literatura e os assuntos que fazem parte da nossa vida.
Teremos autores consagrados, novas vozes, escritores catarinenses e convidados de outras áreas do conhecimento”. A abertura oficial, na sexta-feira (13), traz reflexões sobre o desenvolvimento das cidades e a economia.
Um dos destaques da manhã é a participação do professor da Universidade de Oxford, Ian Goldin, que debate as transições que moldam os centros urbanos ao lado de especialistas. No decorrer do dia, o público poderá acompanhar encontros com cronistas e poetas, discutindo o humor e o afeto nas situações cotidianas e a força da oralidade na poesia urbana.
A programação de sexta-feira reserva ainda um dos momentos mais aguardados pelos apaixonados por ficção contemporânea: uma conversa profunda sobre memória familiar, laços afetivos e os caminhos da escrita com os premiados Julian Fuks e Aline Bei, esta última, finalista do Prêmio Jabuti 2026.
No sábado (14), o foco se expande para debater a desigualdade social, as políticas públicas voltadas para o território e o papel fundamental da leitura como direito humano. Nomes de peso do pensamento urbano e social, como o fundador da organização canadense 8 80 Cities, Gil Peñalosa, debaterão a escala humana das cidades ao lado de ativistas e educadores.
A literatura catarinense também ganha visibilidade com mesas dedicadas à produção local, reunindo autores consagrados do Estado. Mais adiante na programação do sábado, o público poderá conferir a mesa com Itamar Vieira Junior, autor do aclamado romance Torto Arado e também finalista do Jabuti 2026, que abordará os vínculos com a terra, a raiz e o afeto em diálogo com a artista visual Manuela Navas.
No domingo (15), o encerramento volta o olhar para o futuro através dos olhos das crianças. Pesquisadores internacionais, como Tim Gill, e nacionais discutem a importância de desenhar cidades na escala da infância, unindo debates sobre inovação, economia azul, poesia e a força agregadora dos clubes de leitura.
Antes mesmo da abertura oficial do evento, a iniciativa estenderá suas ações para a rede pública de ensino. Na semana que antecede a programação principal, uma parada literária mobiliza estudantes para um momento coletivo de leitura nas salas de aula.
Em um horário determinado, os alunos interrompem suas atividades regulares para se dedicar à leitura de textos dos autores participantes. A ideia é criar um contato direto dos jovens com a produção atual, estimulando a curiosidade e o hábito de ler no ambiente escolar.
A formação de leitores segue como eixo central ao longo de todo o final de semana. A programação infantil contará com oficinas de desenho, contações de histórias, apresentações artísticas e encontros com ilustradores e autores renomados no segmento infantil e juvenil, como Guilherme Karsten, Patricia Auerbach, André Neves, Blandina Franco, José Carlos Lollo, Madú Costa, Marcelo Tolentino e Nina Rizzi.
As atividades para crianças ocuparão todos os espaços. A Casa da Literatura Catarinense e o Palácio Cruz e Sousa promoverão experiências criativas que misturam música, arte visual e brincadeiras tradicionais, e a Casa Hurbana receberá encontros com autores e oficinas infantis.
Além disso, a produção literária e histórica de Santa Catarina ganha destaque não apenas com painéis de debate, mas também por meio de uma homenagem especial à escritora e socióloga Lélia Pereira da Silva Nunes, atual presidente da Academia Catarinense de Letras, reconhecida por suas mais de cinco décadas dedicadas à preservação da memória açoriana e do patrimônio cultural de Santa Catarina.
A escolha estratégica dos endereços no centro de Florianópolis reforça o intuito de integrar a cultura e a história da cidade. Enquanto a Casa Hurbana abriga os grandes debates e o polo de livrarias independentes, o Palácio Cruz e Sousa se transforma em palco de oficinas, intervenções artísticas e apresentações de peso, incluindo passagens da Orquestra Filarmônica Catarinense (OFIC) e da Orquestra Sinfônica Catarinense (OSSCA).
O público também poderá circular por feiras criativas e edições especiais de trocas de livros, como o Leituraço. Paula Borges, presidente do Instituto Maratona Cultural, afirma que:
“Florianópolis tem um público interessado em literatura e uma produção cultural que merece ganhar cada vez mais espaço. Queremos contribuir para ampliar esse movimento, oferecendo uma programação gratuita, com convidados de diferentes trajetórias e atividades que despertem o interesse de novos leitores.
A realização em espaços culturais do Centro também é uma escolha importante, pois aproxima o público desses equipamentos e estimula a circulação pela cidade. Nossa expectativa é que o Ponte de Palavras passe a integrar o calendário cultural de Florianópolis”.
O Ponte de Palavras é realizado pelo Instituto Maratona Cultural e pelo Instituto Pedra Branca, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio de Engie, Eurotec Group, Multilog, Cidade das Águas, Starian e WKoerich. O encontro conta com apoio institucional da Hurbana (Cidade para as pessoas), Prefeitura Municipal de Florianópolis, Academia Catarinense de Letras, LUA (Laboratório de
Urbanismo e Arquitetura), Fundação Catarinense de Cultura, ACIF, Redelê, Van Leer Foundation e Primavera Garden Center. – Casa Hurbana Bocaiúva (Rua Bocaiúva, 2013, Centro)
– Palácio Cruz e Sousa / Museu Histórico de Santa Catarina (Praça XV de Novembro, 227, Centro) – Casa da Literatura Catarinense (Praça XV de Novembro, 270, Centro)
Confira mais informações e a programação completa no site oficial do evento.
ND Mais