Flávio se autoproclama novo presidente do Brasil

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos e publicou nesta quarta-feira, 28 de outubro, uma carta em que se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Derrotado nas urnas, resolveu conceder a si mesmo o mandato que os eleitores entregaram a Lula.

À derrota, Flávio acrescentou a vergonha de abandonar o país depois de prometer que ficaria. Agora, acrescenta o ridículo de anunciar uma Presidência que existe apenas no papel que ele próprio assinou.

O senador terá dificuldade para convencer até o próprio partido. O PL reconheceu o resultado da eleição na segunda-feira, 26, em nota assinada por Valdemar Costa Neto, embora tenha mantido seus questionamentos sobre a disputa.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, também confirmou a vitória de Lula e afirmou que a votação ocorreu com segurança, sem razão para contestar o resultado. Jair Bolsonaro indicou Nunes Marques ao Supremo em 2020.

Flávio precisa, portanto, apresentar como cúmplices da suposta fraude o tribunal presidido pelo indicado de seu pai e um partido que reconheceu a vitória do adversário. O problema de uma conspiração tão abrangente é encontrar alguém que tenha ficado de fora.

Lula recebeu congratulações de mais de cem chefes de Estado e de governo e de organismos internacionais, segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil. A lista inclui representantes de governos de direita, entre eles o de Nayib Bukele, de El Salvador.

A carta tenta atribuir à prorrogação do horário de votação o crescimento de mais de dez milhões de votos de Lula entre os dois turnos. O TSE informou que 34.393 votos foram registrados depois das 17 horas, número que ainda inclui eleitores que já estavam na fila e poderiam votar após o horário habitual.

Comparar o total de duas eleições diferentes e chamar o crescimento do adversário de impossibilidade matemática não demonstra fraude. A carta troca a prova por uma acusação e exige que o país aceite o resultado imaginado pelo candidato derrotado.

Flávio deixou o Brasil apesar da ordem judicial que o proibia de sair e exigia a entrega de seus passaportes. A decisão de fugir merece crítica política por aquilo que revela sobre sua disposição de enfrentar as próprias responsabilidades.

Ele agora pede que instituições, parlamentares e governos estrangeiros sustentem sua fantasia. A democracia que Flávio oferece cabe numa eleição com um só eleitor, ele mesmo, e resultado garantido.

O que diz a carta Na carta, Flávio agradece a Javier Milei e Donald Trump pela acolhida e diz que levou a família aos Estados Unidos por se considerar alvo de perseguição política.

Ele acusa ministros do Supremo Tribunal Federal e a campanha de Lula, sem apresentar no documento provas capazes de sustentar suas alegações de fraude. O senador afirma que pretende liderar a oposição do exterior e promete anunciar uma estratégia de mobilização por meios que descreve como pacíficos e legítimos.

Ao se dirigir a governadores e parlamentares aliados, cita Rogério Marinho como seu candidato à presidência do Senado. Flávio também afirma que não havia mandado de prisão contra ele, informação que a Polícia Federal confirmou nesta quarta-feira.

A ausência de mandado não elimina a ordem de restrição de viagem que ele descumpriu nem transforma sua autoproclamação em resultado eleitoral. O texto termina com um apelo aos apoiadores para que permaneçam mobilizados.

Íntegra da carta de Flávio Bolsonaro Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país.

O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão. Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos.

A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas.

Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível.

E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição.

São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin. A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida.

Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime.

Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento. Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar.

Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment.

Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política. Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional.

Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade.

Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York.

Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam.

A história os chamou de outra coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil.

Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado.

Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui.

Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr. E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil.

Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista. Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros.

Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre.

E esse dia vai chegar. Que Deus abençoe o Brasil.

Flávio Bolsonaro Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters.

Flávio Bolsonaro desembarca no aeroporto de Miami-Opa-locka, nos Estados Unidos, em 28 de outubro de 2026. Fonte: CNN Brasil/Reuters.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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