Um boletim de ocorrência coletivo foi aberto, nessa terça-feira (27/10), por um grupo de aproximadamente 40 pessoas, em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, após terem os nomes expostos em uma lista de boicotes contra petistas, intitulada “Lista de Larápios Nova Petrópolis”. De acordo com o delegado da Polícia Civil estadual (PCRS), Fábio Idalgo Peres, profissionais liberais, empresários e moradores têm procurado a delegacia em razão da circulação desse tipo de lista, que expõe também os nomes de seus estabelecimentos comerciais, incluindo escritórios de advocacia, professores, pedreiros e manicures.
Segundo Peres, a polícia está coletando informações e elementos que possam contribuir para a apuração das circunstâncias e eventual responsabilização criminal. A orientação é para que as provas digitais sejam preservadas para serem usadas na investigação.
Logo após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições gerais, diversas listas semelhantes passaram a ser divulgadas. O deputado federal gaúcho Paulo Pimenta (PT), líder do governo na Câmara dos Deputados, foi nas redes sociais anunciar que vai fazer uma representação no Ministério Público Federal (MPF) e na Polícia Federal (PF) contra o crime:
“São muito graves as notícias, as informações que se multiplicam sobre uma ação deliberada e organizada por parte de apoiadores radicais de Jair Bolsonaro, que estimulam a demissão de supostos eleitores e eleitoras que votaram no Lula no último domingo. O boicote a empresas, o boicote a profissionais liberais.
Várias listas estão a ser difundidas nas cidades com um discurso de ódio, com discurso violento, com discurso de intimidação explícita. E várias informações dão conta de pessoas que foram demitidas, foram submetidas a todo o tipo de constrangimento, de assédio moral.
Isso é crime”, afirmou o parlamentar. Recebi denúncias de perseguição a trabalhadores que votaram em Lula e de boicotes a empresas e profissionais que o apoiaram.
Estou ingressando com representação na Polícia Federal e no Ministério Público Federal. Todos os vídeos e listas que chegarem até mim serão encaminhados aos órgãos para investigação.
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) October 27, 2026 “Com certeza deve ter um comando centralizado que está a orientar os núcleos de cada uma das cidades a procederem desta maneira.
Isto não é novo na história. Nós já vivemos situações semelhantes em outras oportunidades, no Brasil e fora do Brasil.
E esse tipo de atitude é uma atitude criminalmente vedada e nós não vamos aceitar. Isso não vai ficar impune”, alertou.
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