Em uma transmissão ao vivo feita com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, o candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou a entrada do Brasil no Escudo das Américas de Donald Trump caso eleito presidente. A transmissão foi feita nos canais da campanha de Flávio e de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que está foragido nos EUA.
A coalização nasceu, de acordo com o governo americano, para combate ao narcotráfico e crime organizado. Mas se transformou também em uma defesa entre grupos de direita e extrema-direita no continente apoiados pelo republicano.
'Vou, com muita vontade e com muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas', declarou Flávio. Ele ainda completou que os narcotraficantes estariam 'muito preocupados com a minha eleição e têm que ficar mesmo, porque eu vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil e vou precisar muito conversar com o senhor para esse intercâmbio de informações'.
Fazem parte do Escudo das Américas, além dos EUA e da Colômbia, a Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Assessor diz que silêncio de Trump sobre eleições no Brasil foi estratégia para beneficiar Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Reprodução
O jornal americano The Washington Post revelou que um assessor da Casa Branca afirmou que a falta de grandes declarações de Donald Trump sobre as eleições no Brasil foi estratégica para beneficiar Flávio Bolsonaro. A reportagem destaca que o presidente dos Estados Unidos não hesita antes de se envolver com outras eleições no exterior, mas que, desta vez, manteve um silêncio incomum no primeiro turno deste domingo.
Depois da confirmação de que Flávio iria ao segundo turno com o presidente Lula, com vantagem para o primeiro, Trump pouco falou sobre o apoio ao bolsonarista. Marcio Rubio adotou a mesma estratégia.
Nesta segunda-feira, apenas disse que o resultado era esperado. Trump chegou a falar que o resultado era uma vitória ao ser perguntado por jornalistas, mas não entrou em muitos detalhes.
A decisão, conforme a reportagem do The Washington Post, foi tomada pela dinâmica da campanha eleitoral brasileira, considerada por Washington como algo "tumultuado". O motivo seria evitar a instrumentalização do caso por Lula e mais uma acusação de interferência nas eleições.
A Casa Branca teria avaliado que qualquer declaração poderia aumentar o apoio à Lula. No domingo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação abriu um procedimento de investigação sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante comício no Texas. MANDEL NGAN/AFP
CBN