Flávio Bolsonaro corre atrás do prejuízo no Nordeste, onde Lula tem ampla vantagem

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Diante de um cenário em que aparece 30 pontos percentuais atrás do presidente Lula (PT) na corrida do segundo turno no Nordeste, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) transformou a região em uma de suas áreas prioritárias de mobilização.

O movimento ocorre no momento em que o levantamento da Quaest divulgado na quarta-feira (21) aponta a liderança de Lula com 61% das intenções de voto no eleitorado nordestino, enquanto o parlamentar do PL registrou oscilação negativa de 32% para 31%.

A investida de Flávio na região apoia-se em uma agenda intensa de deslocamentos e no trabalho de seu candidato a vice, o alagoano Alfredo Gaspar (PL), que tem percorrido diversos estados na tentativa de ampliar alianças. Durante as agendas públicas — como a realizada em Fortaleza na quarta-feira —, o parlamentar tem buscado conter as críticas da campanha adversária sobre eventuais riscos aos programas sociais, assegurando a manutenção do Bolsa Família, além de focar seus discursos em segurança pública, economia e ataques à atual gestão federal.

Entre as promessas apresentadas para os estados nordestinos, destaca-se o projeto batizado de “Trem do Nordeste”. A proposta prevê a implementação de uma malha ferroviária com 1,4 mil quilômetros de extensão destinada a interligar sete capitais: Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. Contudo, o candidato não detalhou os mecanismos de financiamento ou a viabilidade operacional do empreendimento.

A estratégia eleitoral do grupo inclui também a presença marcante de aliados de peso. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encabeça uma série de atos políticos no formato de “bloquinhos” para mobilizar apoiadores no território nordestino, com passagens agendadas para o Recife nesta quinta-feira (22) e Fortaleza na sexta-feira (23).

Em paralelo, os comitês digitais bolsonaristas tentam explorar episódios recentes nas redes sociais para engajar a militância. Após uma peça publicitária de campanha — com depoimentos de moradores locais sobre escassez de água e criminalidade — perder o áudio original devido a restrições de direitos autorais de uma música, apoiadores passaram a difundir a narrativa de que a região estaria sendo “silenciada”.

A tese ganhou tração em canais de transmissão como a “Tropa do Flávio”, espaço digital articulado de forma similar ao “Exército do Lula”. No grupo, o senador eleito por Goiás, Gustavo Gayer (PL), convocou os integrantes para dar escala ao conteúdo: “a gente está começando um movimento de dar voz ao povo nordestino. Várias pessoas estão gravando vídeos e nos marcando. Eu vou jogando aqui (no canal) e nossa missão é disparar esses vídeos”, disse Gayer.

Em contrapartida, forças de esquerda reagiram resgatando declarações históricas de expoentes da extrema-direita contra o eleitorado local. O ministro Guilherme Boulos (PSOL) manifestou-se na rede social X para criticar a repentina aproximação do adversário com a população nordestina durante o período eleitoral: “sempre atacaram e humilharam os nordestinos. Agora, na campanha eleitoral, usam chapéu de vaqueiro e querem os votos do Nordeste. A resposta será nas urnas no domingo!”.

Junto à publicação, o parlamentar divulgou um material em vídeo com a mensagem “Nestas eleições, não se esqueça quem odeia o Nordeste”, exibindo falas passadas de Jair Bolsonaro (PL) e de seus aliados com críticas direcionadas a estados como Bahia e Maranhão.

A consolidação dos dados da pesquisa Quaest revela recortes regionais e socioeconômicos distintos. Enquanto Lula sustenta a ampla vantagem no Nordeste e mantém a preferência de 51% dos eleitores com renda de até dois salários mínimos (contra 37% de Flávio), o candidato do PL lidera no Sudeste — o maior colégio eleitoral do país — com 48% das intenções de voto, ante 39% do atual presidente.

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