247 – A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu condicionar a divulgação dos sigilos bancário e telefônico do senador à análise prévia dos documentos apresentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo depois de o petista aceitar as 19 exigências estabelecidas pelo adversário, a equipe jurídica de Flávio informou que só entregará seus próprios dados após conferir o material encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A posição foi anunciada nesta quinta-feira (22) pela advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante do candidato do PL. Ela afirmou que os documentos de Flávio já estão reunidos, mas que a campanha pretende verificar se Lula cumpriu integralmente as condições estabelecidas antes de disponibilizá-los.
“Nós temos tudo já. Não é nem condição, é porque a transparência não pode ser pela metade”, declarou Bucchianeri.
Questionada sobre quando os dados do senador seriam apresentados, a advogada afirmou que a entrega poderá ocorrer imediatamente após a conferência da documentação encaminhada pela campanha petista.
“Se a gente confirmar que tudo que ele se comprometeu ele trouxe, será imediatamente”, disse.
A equipe de Flávio escalou o ex-procurador da República e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para acompanhar a análise dos documentos apresentados por Lula. Dallagnol esteve nesta quinta-feira no TSE ao lado de Bucchianeri, durante os procedimentos relacionados à entrega do material da candidatura adversária.
Segundo a campanha do senador, a verificação busca identificar possíveis inconsistências nas informações apresentadas pelo presidente.
Lula aceita exigências, mas Flávio mantém sigilos fechados
A nova condição apresentada pela defesa de Flávio ocorre depois de a campanha de Lula anunciar que atenderia integralmente às exigências formuladas pelo candidato do PL.
O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha presidencial petista, compareceu ao TSE nesta quinta-feira para protocolar a resposta formal às condições apresentadas pelo adversário.
Na quarta-feira (21), Camilo já havia antecipado que Lula concordaria com os pedidos e interpretou a lista de exigências como uma tentativa de Flávio de evitar a divulgação dos próprios dados.
“O presidente da República não tem absolutamente nada a se opor em relação a tudo que ele colocou como condicionante”, afirmou o coordenador da campanha petista.
Apesar da concordância de Lula, a defesa de Flávio sustenta que precisa examinar os documentos antes de apresentar as informações bancárias e telefônicas do senador. Com isso, a abertura dos sigilos permanece pendente, sem uma data definida para a efetiva entrega dos registros.
Desafio começou durante debate presidencial
A disputa entre os candidatos teve início no último domingo (18), durante o debate presidencial promovido pela Band. Na ocasião, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a tornar públicos seus sigilos bancário e telefônico para esclarecer suspeitas de corrupção.
O senador respondeu na quarta-feira com uma lista de 19 exigências, formalizada perante o TSE, que deveriam ser atendidas pelo presidente para que ele aceitasse a proposta.
Entre as informações solicitadas por Flávio estão dados bancários e fiscais de empresas relacionadas aos filhos de Lula, além de registros de eventuais encontros do presidente com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A relação também inclui informações sobre a lobista Roberta Luchsinger e gastos realizados com o cartão corporativo da Presidência da República.
Outros pedidos envolvem registros de voos da Força Aérea Brasileira (FAB), informações sobre visitas aos palácios presidenciais e reuniões de pessoas próximas ao governo com autoridades.
A campanha petista anunciou ainda na quarta-feira que aceitaria todas as condições apresentadas pelo adversário, transferindo a discussão para o cumprimento dos compromissos assumidos por ambos os candidatos.
Brasil 247