Rede Brasil Memória, Verdade e Justiça declara apoio a Lula e alerta para risco de retrocesso democrático com Flávio Bolsonaro

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A Rede Brasil – Memória, Verdade, Justiça (RBMVJ) declarou apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em manifesto divulgado nesta quarta-feira (21), a organização expressou preocupação com o avanço de práticas autoritárias no país e defendeu a mobilização da sociedade para preservar a democracia brasileira.

Intitulado Pela democracia, contra o autoritarismo, o documento afirma que o Brasil enfrenta ameaças às instituições democráticas e relaciona os riscos atuais ao legado da ditadura militar. Ao justificar seu posicionamento eleitoral, a entidade declara: “E, diante do risco de uma ditadura, a RBMVJ apoia imperativamente o voto no candidato Luís Inácio Lula da Silva.”

A manifestação ocorre na reta final da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), cujo segundo turno está marcado para domingo (25). Embora não mencione diretamente o adversário do petista, o texto apresenta a defesa da democracia e o enfrentamento ao autoritarismo como fundamentos de sua posição.

A organização sustenta que práticas associadas ao período ditatorial continuam presentes na sociedade brasileira, manifestando-se por meio de ataques às instituições, questionamentos à ordem constitucional e discursos de exaltação do regime militar.

“O autoritarismo que marcou nossa história não desapareceu com o fim da ditadura: permanece nas tentativas de desacreditar as instituições democráticas, na defesa de rupturas constitucionais, na exaltação do regime militar, na violência de Estado e nos ataques aos direitos e às liberdades fundamentais.”

Entidade alerta para ameaças à democracia

No manifesto, a Rede Brasil argumenta que a manutenção do regime democrático depende de participação permanente da sociedade e de uma atuação coletiva contra iniciativas que possam comprometer direitos fundamentais.

A organização também alerta para a possibilidade de retrocessos institucionais quando discursos contrários às garantias democráticas passam a ser tratados como manifestações políticas normais.

“Não podemos tratar a democracia como uma conquista definitiva. Ela precisa ser defendida todos os dias. O risco de retrocesso democrático exige vigilância, mobilização e compromisso coletivo.”

Segundo o documento, a experiência histórica brasileira demonstra as consequências da ausência de resistência diante do avanço de práticas autoritárias. A entidade considera que a preservação das liberdades políticas, da participação popular e do Estado Democrático de Direito exige atenção constante.

O manifesto também associa a consolidação da democracia à responsabilização por violações de direitos humanos, especialmente aquelas cometidas durante a ditadura militar.

Memória da ditadura e combate à impunidade

Criada em 2011, a Rede Brasil – Memória, Verdade, Justiça reúne comitês, comissões, fóruns, coletivos e organizações dedicados à preservação da memória histórica, à defesa dos direitos humanos e à busca por responsabilização pelos crimes praticados durante o regime militar.

Em 2014, a entidade reafirmou esses objetivos por meio da Carta de Vila Velha, documento que reivindicou a investigação dos crimes da ditadura, a responsabilização de seus autores e o enfrentamento à impunidade.

Agora, ao atualizar seu manifesto, a organização relaciona essas reivindicações históricas aos desafios políticos e institucionais enfrentados pelo Brasil.

“Reafirmamos que não há democracia sólida sem memória, verdade e justiça; não há reconciliação verdadeira sustentada pelo esquecimento; e não há futuro democrático enquanto a impunidade e as violações de direitos humanos forem toleradas.”

Para a Rede Brasil, a defesa das instituições constitucionais deve caminhar junto com o reconhecimento das violações cometidas no passado, de maneira a impedir sua repetição.

A entidade reafirma ainda seu compromisso com a responsabilização pelos crimes da ditadura e com a construção de uma sociedade baseada na garantia dos direitos fundamentais.

O manifesto termina com três mensagens que sintetizam a posição da organização diante do cenário político brasileiro:

“Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça. Para que a democracia não seja perdida novamente.”

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