EXTRA Favelas debate empreendedorismo e incentiva soluções propostas por moradores das comunidades do Rio

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Fonte da notícia: Extra Extra

A terceira edição do Fórum EXTRA Favelas reuniu, nesta terça-feira (3), lideranças, especialistas e representantes do poder público no auditório da Editora Globo para debater as principais demandas das comunidades cariocas. O incentivo ao empreendedorismo e a iniciativas que valorizem ideias e soluções propostas pelos próprios moradores foram o fio condutor do debate realizado pelo jornal com o apoio da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na véspera do Dia da Favela.

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Para o diretor de redação do EXTRA, Humberto Tziolas, o fórum é um orgulho do jornal: — Conseguimos reunir, para discutir os problemas do Rio, não só representantes do poder público, mas também moradores e talentos dessa potência que são as favelas.

Quando o evento termina, tudo vira um documento com propostas concretas, entregues aos representantes das comunidades e ao poder público, para virar melhorias de ordem prática para o morador do Rio — explica. Na primeira mesa, “Como fazer a economia da favela crescer”, o presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado, falou sobre a importância da atuação do poder público para impulsionar esse crescimento:

— O poder público hoje enxerga a favela e a comunidade como um grande polo de força econômica para a cidade, que merece investimento em infraestrutura para se desenvolver e projetos sociais de inclusão que olhem para o presente e para o futuro — disse. Já a gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio, Carla Panisset, defendeu uma estratégia casada:

— Precisamos pensar em uma intervenção de ecossistema: legislação, políticas públicas, educação, crédito, aceleradoras e o terceiro setor, que é fragilizado e sustenta todos os outros. Como transformar isso em estratégia perene, e não em coincidência de encontros? É assim que passamos da mudança de cases para a mudança dos territórios — comentou.

Mesa 1 do Fórum EXTRA Favelas Fabiano Rocha

A segunda mesa, “Por onde começar?”, debateu o que precisa mudar para aproximar as favelas do restante da cidade. Um dos tópicos abordados foi a urbanização, citada pela vereadora Tainá de Paula (PT):

— Existem favelas milenares pelo mundo que hoje são grandes centros urbanos, com saneamento, turismo, tecnologia e lazer, e que todo mundo quer conhecer. [...] Não é normal demorar uma hora para chegar da Zona Sul ao Centro.

Não é normal alagarem áreas da Zona Norte. Talvez o problema da cidade não esteja na favela — ponderou.

Também no contexto de urbanização, a diretora-executiva do ITDP Brasil, Clarisse Cunha Linke, ressaltou a importância de debater mobilidade: — A discussão sobre mobilidade acontece há mais de uma década, mas avançamos muito pouco.

Não temos um problema de falta de oportunidade, e sim de distância entre as pessoas e as oportunidades. No Rio, grande parte da população se desloca por horas todos os dias — apontou.

As estratégias casadas também passam pela revisão de pontos de partida. O cofundador da Cufa Brasil e presidente da Cufa RJ, Preto Zezé, questionou o uso do IDH como base das políticas públicas:

— Há uma coisa que precisamos discutir: todo o regramento de política pública é baseado no IDH. Pegue a favela de menor IDH do Rio de Janeiro.

Perto dela há um supermercado, uma farmácia de grande rede nacional e vários empreendimentos, do comércio de beleza ao mercado de alimentos e à gastronomia. Então o IDH já não entrega o potencial econômico de um território.

A fragilidade de um território é a ausência de Estado, o que não quer dizer que a economia não tenha se desenvolvido ali. Pelo contrário: nesses locais é onde as pessoas mais criam soluções e alternativas para garantir a sua sobrevivência — provocou.

Na mesma linha de raciocínio, o diretor-presidente do Instituto Papo Reto e cofundador da Iniciativa Pipa, Raull Santiago, ressaltou que a favela já é a cidade: — Precisamos partir para uma ação prática e propositiva, sem máscaras de inclusão: inclusão real, escuta real, fazer junto com quem é da favela — defendeu.

O encerramento do evento foi com uma apresentação de ex-alunos da escola de música Favela Brass, que, desde 2014, ensina música de graça para crianças e jovens de favelas do Rio. Ex-alunos da escola de música Favela Brass

Fabiano Rocha Reciclagem fortalece economia

Os convidados também falaram sobre reaproveitamento e economia verde, com exemplos como o projeto Coco no Ponto, que recicla cascas de coco verde descartadas nas praias cariocas, e a iniciativa Recicla Comunidade, que faz reciclagem dentro das favelas e gera renda aos moradores. As iniciativas unem sustentabilidade e renda.

O sócio-diretor da Revelog Ambiental, José Luciano dos Santos, explicou: — Vou focar no resíduo do coco: uma matéria-prima que substitui a madeira e que o comerciante, como agente do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, tem responsabilidade de destinar corretamente, sob risco de multa.

É preciso um setor que integre empresas e comunidades, fortalecendo várias favelas e setores ao mesmo tempo. Empreendedorismo feminino

Outro ponto destacado na primeira mesa foi o predomínio feminino no empreendedorismo. A sócia-diretora da Escola de Negócios da Favela e CEO do Data Favela, Cleo Santana, falou da sobrecarga das mulheres, que muitas vezes enfrentam jornada dupla ou tripla:

— As mulheres, por terem outros papéis na vida, performam múltiplas jornadas e muitas vezes acabam dentro de casa, como cuidadoras principais do lar. Mas a maioria não quer ficar parada: querem se reinventar para complementar a renda.

O desafio é trazer essas empreendedoras para a formação: como a Dona Maria vai parar a produção para assistir a uma aula, se não tem quem a ajude? Falta nos comportarmos como parceiros de ecossistema do empreendedor.

Publicação Original Extra extra.globo.com
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