Polícia Federal intercepta mensagens entre Rueda e Vorcaro sobre o BRB

Polícia Federal intercepta mensagens entre Rueda e Vorcaro sobre o BRB - Foto
Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Mensagens obtidas pela Polícia Federal na memória do telefone celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, tratou diretamente com o então dono do Banco Master os detalhes contratuais para que um empresário de sua confiança adquirisse metade da BRB Financeira.

As conversas foram registradas durante a administração de Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição estatal de Brasília indiciado pela PF em apuração sobre fraudes em carteiras de crédito expedidas para o Master, informa Malu Gaspar, no jornal O Globo. As análises periciais apontam que Rueda e Vorcaro realizaram reuniões presenciais em ao menos duas oportunidades na capital federal, em encontros organizados nas residências de ambos situadas no bairro Lago Sul.

O negócio sob negociação envolvia a transferência de 49% da BRB Financeira para um consórcio liderado pelo empresário José Ricardo Lemos Rezek, aliado próximo do dirigente partidário. A transação previa o pagamento de R$ 320 milhões divididos em dez parcelas anuais.

Contudo, relatórios do próprio BRB apontavam que o lucro anual da subsidiária orbitava a marca de R$ 90 milhões, o que na prática tornava o ativo autossustentável, visto que os dividendos gerados superavam o montante das prestações estipuladas. Apesar de não figurar formalmente nos papéis da operação, Rueda trocou arquivos e textos pelo aplicativo WhatsApp para ajustar a minuta do acordo de acionistas.

Em 1º de julho de 2024, quatro dias antes da divulgação oficial de uma “parceria estratégica” pelo BRB, o parlamentar repassou a Vorcaro trechos do instrumento jurídico. O ex-dono do Master sugeriu modificações para outorgar amplos poderes de gestão sobre operações financeiras e de crédito aos diretores indicados pelo consórcio privado.

O texto revisado garantia autonomia total aos executivos indicados pelos investidores, incluindo a diretoria financeira, a quem caberia a prerrogativa de aprovar transações. Dois dias após o envio do arquivo, Vorcaro confirmou por mensagem seu deslocamento aéreo para encontrar Rueda em Brasília: “Atrasou aqui pra liberarem decolagem to decolando agora.

Devo pousar 16:30 e vou direto para ai”. O dirigente partidário respondeu fornecendo o endereço de sua casa.

Em outros registros do aplicativo, Rueda externou preocupação em 4 de julho de 2024 ao mencionar conversas com Augusto Lima, então sócio do Master e idealizador do modelo de consignados da empresa: “Augusto me chamou queria dividir. Tô voltando p bsb”, escreveu Rueda, completando: “Queria alinhar o que falei”.

No dia seguinte, no momento em que a parceria foi formalizada ao mercado, o dirigente enviou nova mensagem a Vorcaro: “PH precisando falar c vc”, em alusão ao ex-presidente do banco estatal. Na oportunidade do anúncio, Paulo Henrique Costa defendeu publicamente a transação: “com essa aliança, estamos não apenas expandindo nossa capacidade de atuação no mercado de crédito consignado e cartões de benefícios, mas também fortalecendo nossa posição como um banco inovador e dinâmico, que passará a oferecer soluções ainda mais robustas e abrangentes para nossos clientes em todo o Brasil.

Estamos confiantes de que essa parceria impulsionará significativamente o desenvolvimento da Financeira BRB e contribuirá para o crescimento contínuo do banco”. Contudo, os desdobramentos operacionais sofreram forte oposição dos técnicos do Banco Central, que apontaram inconsistências na comprovação da origem dos valores ofertados e questionaram as cláusulas de governança ajustadas na minuta.

Com o avanço das apurações sobre a liquidação do Banco Master e a prisão preventiva de Vorcaro, o Banco Central sinalizou aos conselheiros do BRB que anularia administrativamente o ato caso a instituição não o fizesse voluntariamente. O distrato acabou homologado no encerramento de 2025.

Instado a se manifestar sobre os dados periciados, Antonio Rueda declarou em nota oficial: “minha atuação, em todas as questões relativas ao Banco Master, limitou-se à assessoria jurídica, sempre na condição de advogado, no exercício regular da profissão e dentro dos limites legais e éticos.

As comunicações com clientes são protegidas pelo sigilo profissional (Estatuto da Advocacia e da OAB, arts. 7º, II, e 34, VII, e Código de Ética e Disciplina da OAB).

As demais perguntas dizem respeito a condutas e declarações de terceiros. Atenciosamente, Antonio de Rueda”.

Por sua vez, José Ricardo Lemos Rezek manifestou-se negando tratativas diretas: “o empresário José Ricardo Lemos Rezek jamais tratou de qualquer assunto da BRB Crédito, Financiamento e Investimento (BRB Financeira) com as pessoas citadas, e desconhece a relação delas com a instituição.

É importante ressaltar que Rezek não participou de qualquer processo para a aquisição da BRB Financeira. Somente após a conclusão desse processo, Rezek foi procurado e convidado pela empresa vencedora a integrar o negócio, na condição de investidor, com participação minoritária na BRB Financeira.

A decisão de ingressar na sociedade foi de natureza exclusivamente empresarial, baseada na avaliação de uma oportunidade comercial. Após análises de natureza mercadológica e técnica, Rezek desistiu do negócio, o que foi comunicado publicamente.

A operação, portanto, sequer se concretizou”. A defesa de Daniel Vorcaro informou que não se pronunciará sobre o conteúdo das mensagens interceptadas.

Os representantes legais de Paulo Henrique Costa também não emitiram novos comentários.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →