Após aprovação da PEC, Lula quer Ministério da Segurança ‘de pé’ até o fim do mês

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O governo do presidente Lula (PT) prepara o desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para consolidar uma pasta exclusiva voltada à Segurança Pública ainda durante o mês de novembro, informa o Metrópoles. A iniciativa atende a uma promessa de campanha do chefe do Executivo, cuja efetivação estava vinculada ao aval do Poder Legislativo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada no plenário do Senado Federal na terça-feira (3).

A formalização da medida ocorrerá por meio de medida provisória assim que o texto for promulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em sessão solene conjunta com a Câmara dos Deputados. Por se tratar de alteração constitucional, a matéria não exige sanção ou veto presidencial.

Resistente ao desmembramento no início da gestão por conta da indefinição sobre as atribuições federais, garantia de verbas e impactos políticos, Lula considera que a aprovação da PEC regulamenta o papel da União e cria as condições necessárias para tirar a estrutura do papel. O planejamento interno do MJSP prevê a divisão dos servidores entre os dois órgãos sem a necessidade de criação de cargos adicionais — com exceção da vaga de ministro —, atendendo às exigenças da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que veda a expansão de despesas com pessoal nos 180 dias que antecedem o fim do mandato.

O detalhamento orçamentário definitivo da nova pasta será estruturado ao longo do próximo ano. No âmbito dos nomes cotados para liderar o novo ministério, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Ministério Paulo do Estado de São Paulo e reconhecido pela atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), já teria sido sondado por Lula.

Em razão da ausência de perfil político do promotor, avalia-se sua permanência durante a reta final do atual mandato, abrindo espaço para acomodações aliadas a partir de 2027. Caso Gakiya decline, o atual secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, seria o segundo nome da lista.

No Ministério da Justiça, o ministro Wellington Lima e Silva sinaliza interesse em prosseguir na função, embora o espaço permaneça sob análise para acomodar quadros políticos e aliados do PT. A proposta aprovada insere o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal, amplia as competências da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal no enfrentamento a facções criminosas e endurece o tratamento a lideranças de organizações.

Além disso, estabelece o repasse obrigatório de 50% dos recursos dos fundos da área para estados e municípios independentemente de convênios, autoriza a criação de polícias municipais para policiamento ostensivo e permite a criação de forças-tarefa interfederativas. A tramitação do texto no Congresso envolveu intensas articulações políticas.

Prevista inicialmente para ser votada no período do segundo turno eleitoral, a apreciação foi atrasada por impasses em torno da redução da maioridade penal. Diante de propostas apresentadas pela oposição e pelo senador Camilo Santana (PT-CE), o governo articulou a votação da matéria sem incluir alterações sobre o tema no relatório final.

A manobra evitou o retorno do texto à Câmara dos Deputados, garantindo a aprovação rápida da PEC em dois turnos.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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