As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia ganharam força após o início da aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul. Entre maio e setembro de 2026, as vendas cresceram 14,8% em valor, com destaque para carnes, soja, mel e frutas.
Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia começou a produzir efeitos comerciais em 1º de maio de 2026. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil exportou US$ 12,21 bilhões em produtos agropecuários e agroindustriais para os países europeus nos cinco primeiros meses de aplicação provisória.
O volume embarcado chegou a 17,74 milhões de toneladas, crescimento de 8,1% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço não ficou restrito ao campo.
Conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo tratado cresceram 21%, considerando diferentes setores econômicos. A redução gradual das tarifas de importação é uma das principais mudanças previstas no acordo.
Com isso, determinados produtos brasileiros passam a contar com condições comerciais mais favoráveis para entrar no mercado europeu. Entre os segmentos do agronegócio, os produtos apícolas apresentaram a maior expansão percentual em valor.
As vendas, puxadas principalmente pelo mel, cresceram 367%. Os produtos oleaginosos, excluindo a soja, avançaram 161%.
Já as exportações de carnes aumentaram 103,5% em valor e 170% em volume. Na prática, os embarques de carnes passaram de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas.
O complexo soja também ganhou espaço. As vendas cresceram 34,2%, passando de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões.
Dentro desse grupo, a soja em grãos registrou aumento de 49% em valor e 35,1% em volume. O farelo de soja avançou 22,5% em valor.
Outros setores acompanharam o crescimento. Os produtos florestais movimentaram US$ 1,48 bilhão, alta de 23%, enquanto frutas, nozes e castanhas alcançaram US$ 315 milhões, crescimento de 15%.
Entre os produtos individuais, o abacate apresentou uma das maiores altas nas vendas para a União Europeia. As exportações saltaram de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões entre maio e setembro, na comparação anual.
O crescimento foi de 421,2% em valor e 433,7% em volume. O óleo de milho bruto também teve desempenho expressivo.
As vendas passaram de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões, aumento de 266,3%. Outras frutas ampliaram sua presença no mercado europeu.
A manga registrou crescimento de 31,2% em valor, enquanto a maçã avançou 28,8%. No setor cafeeiro, as exportações de café torrado cresceram 91,6% em valor.
O café solúvel apresentou alta de 19%. Enquanto as exportações avançaram, as importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais europeus cresceram em ritmo menor.
Entre maio e setembro, as compras somaram US$ 1,67 bilhão, aumento de 3,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Com isso, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com a União Europeia passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, crescimento de 17%.
O resultado significa que o Brasil vendeu ao bloco europeu US$ 10,54 bilhões a mais do que comprou nesse segmento. O acordo comercial foi assinado em 17 de janeiro de 2026, após negociações iniciadas em 1999.
As regras estabelecem reduções tarifárias graduais. Para o café torrado, o café solúvel e o abacate, a previsão é de eliminação completa das tarifas em 2030.
No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base. O tratado também prevê condições preferenciais para carnes, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo.
Alguns produtos, porém, estão sujeitos a cotas de importação. Além das tarifas, os exportadores continuam obrigados a cumprir as exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade da União Europeia.
Entre essas regras está o Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que estabelece requisitos específicos para determinadas mercadorias comercializadas no bloco. Matéria elaborada com base em dados e informações divulgados neste artigo do G1.
Clickl Petroleoegas