Ex-sócio acusa Vorcaro de orientar respostas falsas a auditores

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Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

Augusto Lima contestou versão do ex-banqueiro e afirmou que ele orientava funcionários a dar respostas evasivas sobre operações de crédito O ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Augusto Ferreira Lima, afirmou à Polícia Federal que o ex-banqueiro tinha conhecimento detalhado das operações de crédito consignado da instituição e centralizava decisões operacionais, financeiras e estratégicas.

A declaração contradiz a versão apresentada por Vorcaro aos investigadores, segundo a qual ele não acompanhava os detalhes desse segmento. O relato foi apresentado em depoimento prestado no último dia 16, no âmbito da Operação Compliance Zero, com informações divulgadas somente na última quinta-feira, 29.

Indiciado pela PF sob suspeita de crimes financeiros relacionados à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), Lima afirmou que Vorcaro acompanhava de perto a operação e interferia diretamente em decisões sobre os empréstimos consignados. “Me causa muita dificuldade quando o Daniel vem dar um depoimento e diz o seguinte: ‘Eu não conheço nada de consignado, quem conhecia era Augusto’”, afirmou Lima aos investigadores.

A declaração contrasta com o depoimento de Vorcaro, prestado em dezembro do ano passado. Na ocasião, o ex-banqueiro disse que “não entrava nos detalhes” das operações de crédito consignado e que conhecia apenas o funcionamento geral do negócio.

Segundo Lima, Vorcaro chegou a interferir diretamente em decisões operacionais. Ele citou um episódio de dezembro de 2024, quando uma equipe interna apontou que determinados contratos não deveriam ser processados.

De acordo com o depoimento, o então controlador do banco deu uma contraordem para que a operação fosse realizada. O ex-sócio também afirmou que, diante de questionamentos de auditores do BRB e do Banco Central sobre o lastro das operações, Vorcaro orientou executivos e subordinados a apresentar respostas evasivas ou falsas.

Lima disse que funcionários eram instruídos a afirmar que os correspondentes bancários eram associações de servidores públicos da Bahia, a Asteba e a Ceba, ou que os ativos haviam sido sacados de fundos de investimento. Segundo o relato, o nome das associações e a estrutura do Credcesta, cartão criado por Lima para oferecer crédito consignado a servidores públicos, teriam sido usados para conferir aparência de legitimidade a carteiras de crédito sem lastro real e inflar os valores negociados com o BRB.

A primeira operação entre o Master e o banco estatal, de 750 milhões de reais, foi realizada em julho de 2024. Lima afirmou que essa carteira era composta por créditos regulares de funcionários públicos, com histórico de alta adimplência.

O empresário, porém, disse que a base do Credcesta não teria capacidade física ou geográfica para gerar os volumes de 5 bilhões a 12 bilhões de reais exigidos por auditores e pelo Banco Central. Lima afirmou ainda que a carteira de consignados estruturada a partir do Credcesta foi determinante para a expansão do Master no ranking nacional entre 2019 e 2025.

Por isso, segundo ele, seria contraditório que o principal executivo do banco desconhecesse o funcionamento de uma atividade tão relevante. “Pelo que está no próprio inquérito de forma objetiva, ele em alguns momentos fala: ‘diga que tirou do fundo’, ‘diga que comprou uma carteira’, ‘troque isso aqui’, ‘faça aquilo outro’.

Isso no final do dia mostra que ele tinha pleno conhecimento do que era consignado”, declarou. No depoimento, Lima afirmou que decidiu deixar o Banco Master entre o fim de 2022 e o início de 2023.

A saída do quadro diretivo foi oficializada em 28 de maio de 2024, antes da primeira operação com o BRB. Segundo o empresário, a decisão ocorreu por divergências com a estratégia adotada por Vorcaro.

Lima defendia que o banco mantivesse o foco no Credcesta, enquanto o ex-controlador passou a direcionar a instituição para operações de atacado e aquisição de empresas em dificuldades. Ele afirmou que passou a tomar conhecimento de investimentos feitos pelo Master por meio do mercado e da imprensa, sem ser consultado ou informado por Vorcaro.

Lima disse ainda que sua saída da gestão do Credcesta foi mantida em sigilo a pedido do banco e do regulador, para evitar turbulências no mercado, já que o produto era uma importante fonte de liquidez para a instituição. Nesse período, afirmou ter atuado temporariamente como prestador de serviços de originação, até estruturar a transferência definitiva da operação para uma instituição própria, o Banco Voiter.

A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre as suspeitas envolvendo o Banco Master e indiciou, no último dia 28, Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeita de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB. Entre os indiciados estão o ex-presidente do banco estatal Paulo Henrique Costa e Augusto Lima.

A PF aponta Lima como integrante do núcleo executivo-financeiro da organização investigada. Ele foi indiciado por suspeita de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa do empresário contesta as conclusões do relatório policial e afirma que ele não participou, direta ou indiretamente, das fraudes investigadas.

Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
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