Toda a Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado estão em disputa; mais de 54 milhões de americanos já votaram antecipadamente, Os eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça-feira 3 nas eleições de meio de mandato, as midterms.
Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. O resultado pode alterar o equilíbrio entre republicanos e democratas no Congresso e definir a facilidade com que o presidente Donald Trump conseguirá avançar com sua agenda nos dois últimos anos de mandato.
Antes do dia da votação, 54,5 milhões de pessoas já haviam depositado seus votos, segundo o Election Lab da Universidade da Flórida, em dados divulgados na segunda-feira 2. Desse total, 30 milhões votaram presencialmente e 24 milhões pelo correio.
Cerca de 250 milhões de americanos estão aptos a votar, e cada localidade organiza a própria votação. Trump tentou restringir o voto postal por decreto, mas a Justiça barrou a medida antes do pleito.
Republicanos e democratas partem de um cenário de maioria apertada. O partido de Trump tem 218 cadeiras na Câmara, número mínimo para controlar a Casa e 53 no Senado.
O comando só muda de mãos se os democratas conquistarem ao menos 51 vagas. Isso porque o vice-presidente, republicano, desempata em caso de 50 a 50.
A última pesquisa Reuters/Ipsos mostrou vantagem democrata de 53% a 44% entre os eleitores propensos a votar. Na última sondagem da Ipsos, divulgada em 26 de outubro, a aprovação de Trump era de 32%.
No início do mês, o Silver Bulletin apontava cerca de 37%, com 61% de desaprovação. O próprio Trump tem pedido que os eleitores ajam como se o nome dele estivesse na cédula. “Se não vencermos as eleições de meio de mandato, vão me culpar”, afirmou em comício no Tennessee, no mês passado.
Em entrevista à Fox News, no domingo, disse que, se os democratas assumirem o Congresso, será o “Sr. Veto”.
Uma derrota na Câmara ou no Senado dificultaria a aprovação de leis e a negociação do Orçamento, e daria à oposição o poder de apresentar projetos próprios e de usar comissões para convocar funcionários e pedir documentos. Alvos possíveis de investigação são as acusações de corrupção, o novo salão de baile da Casa Branca e as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Há também o debate no Partido Democrata sobre a abertura de um novo processo de impeachment. Com o controle do Senado, os democratas poderiam criar obstáculos a indicações de juízes e de integrantes do alto escalão, inclusive para a Suprema Corte.
Trump já demonstrou disposição de recorrer a ordens executivas, que dispensam o Congresso. A economia domina o debate, com o peso dos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia.
A inflação segue acima da meta do Federal Reserve, em parte por causa da guerra iniciada pelos EUA e por Israel contra o Irã em fevereiro. Os democratas culpam as tarifas de Trump, e os republicanos destacam a repressão à imigração ilegal.
A regulação da inteligência artificial também ganhou espaço, com políticos dos dois partidos a favor, em oposição ao presidente. No Texas, o democrata James Talarico, de 37 anos, tem 50% das intenções de voto, contra 43% do republicano Ken Paxton, segundo a pesquisa New York Times/Siena.
Nenhum democrata conquista uma cadeira do estado no Senado desde 1988. Michigan também está entre as disputas decisivas para o controle da Casa, e há eleições para governador na Califórnia, na Flórida, na Geórgia e no mesmo Michigan.
Encerrada a votação, os estados iniciam a contagem , que fica a cargo de cada estado. Nos Estados Unidos não existe um órgão que centraliza o processo, como faz o Tribunal superior Eleitoral no Brasil.
Depois, vem a certificação, com prazos próprios. A apuração ode levar dias e, a depender do estado, como na Califórnia, semanas.
Além disso, recontagens e contestações judiciais podem ocorrer, e por isso os resultados divulgados na noite da eleição são preliminares. O novo Congresso toma posse ao meio-dia de 3 de janeiro, que em 2027 cai num domingo.
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