O mercado de imóveis de alto padrão na cidade de São Paulo ganhou ritmo no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, 1.818 unidades trocaram de mãos, volume 8,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Do primeiro para o segundo trimestre, as vendas cresceram 23,4%. Os dados são do Relatório Snapshots, da Bossa Nova Sotheby’s International Realty, que monitora lançamentos e imóveis negociados no mercado secundário em 15 bairros. “Os números mostram que o alto padrão na cidade está retomando o fôlego, após a desaceleração observada entre o final de 2025 e o início deste ano”, afirma Marcello Romero, CEO da Bossa Nova Sotheby’s.
Segundo ele, o movimento reflete uma mudança de comportamento dos compradores diante da manutenção dos juros em patamares elevados. A expectativa de uma redução acabou adiando decisões, mas, à medida que esse cenário se prolongou, os negócios voltaram a acontecer. “Havia uma expectativa de queda que não se concretizou. Isso fez com que o prazo para a decisão de compra saltasse de 68 para quase 150 dias. Mas, no último trimestre, as pessoas voltaram a fazer negócio”, explica. No limite entre o Itaim e o Jardim Europa, apartamentos no edifício Pinna 5109 são vendidos a R$ 47 mil o metro quadrado SDI/DIVULGAÇÃO O mercado também vem demonstrando resiliência graças a uma precificação mais ajustada, avalia Romero. Nos lançamentos, imóveis com atributos realmente diferenciados — seja pela localização, pela arquitetura ou pelo padrão de acabamento — continuam sustentando valores elevados. Já os projetos que não reúnem esses diferenciais têm chegado ao mercado com preços mais competitivos, estratégia que ajudou a dar novo fôlego às vendas na cidade. Com 308 imóveis negociados, a região dos Jardins liderou o ranking de vendas na capital paulista. Residencial Franca 1055 está entre os mais desejados do bairro RFM/DIVULGAÇÃO Por Bairro O relatório traçou um “mapa de calor” do desempenho comercial dos bairros monitorados, revelando onde estão os maiores valores do mercado paulistano. Vila Nova Conceição liderou em tíquete médio, com R$ 6,32 milhões por imóvel negociado, enquanto o Itaim registrou o metro quadrado mais caro do período: R$ 92,5 mil. “Itaim é um dos endereços mais desejados pelo público de alto padrão, mas esse comprador está cada vez mais exigente. Ele busca arquitetura de qualidade, plantas bem resolvidas, soluções voltadas ao bem-estar e diferenciais que realmente façam sentido para seu estilo de vida”, afirma Dario de Abreu Pereira, sócio-diretor da SDI. A SDI desenvolve na região o Pinna 5109, na Avenida Nove de Julho, no limite entre Jardim Europa e Itaim, onde o metro quadrado é comercializado por R$ 57 mil. O Itaim se destacou pelo valor do metro quadrado e os Jardins lideraram em volume de vendas, com 308 imóveis negociados nos primeiros seis meses do ano. Cerca de 80% das transações envolveram unidades entre R$ 2 milhões e R$ 6 milhões. É nesse mercado que a RFM atua com o Franca 1055. Lançado em 2025, o empreendimento já teve 55% das unidades comercializadas. O preço médio do metro quadrado está em R$ 47 mil. “Jardins é um bairro consolidado, que oferece tudo o que o público precisa no dia a dia, de hospitais a bons restaurantes. Além disso, tem faturado com a expansão corporativa do eixo da Avenida Rebouças e da Rua Augusta, o que acaba gerando uma demanda natural por residências de alto padrão”, afirma Marcelo Moraes, CEO da RFM. Moema é outro destino que teve performance relevante. Apenas no segundo trimestre deste ano, o salto nas vendas foi de 54,7% em relação aos três meses anteriores. Um dos fenômenos comerciais é o Edifício Adolpho Lindenberg, lançado em agosto, que teve 68% dos 75 apartamentos vendidos em menos de 30 dias. “O empreendimento fica a duas quadras do Parque Ibirapuera, tem uma área de lazer diferenciada e preços mais atrativos do que os praticados nos bairros vizinhos. Além disso, Moema ainda tem potencial de valorização, uma combinação que contribuiu para o bom desempenho do projeto”, explica Arthur Monnerat, diretor Comercial e de Marketing da Incorporadora Lindenberg. A MAC Construtora também aposta em Moema, onde desenvolve o MAC Ibirapuera. Com entrega prevista para 2027, o projeto já está 75% vendido. “A topografia, que permite fazer muita coisa a pé, a ampla rede de serviços, o parque, o shopping e a proximidade do Aeroporto de Congonhas são fatores que ajudam a manter o interesse dos clientes por Moema”, avalia Isaac Cohen, diretor Comercial da MAC.
Na Zona Oeste, foi Perdizes que ganhou força no semestre. Só no segundo trimestre, as vendas avançaram 89,7%, enquanto o tíquete médio dos imóveis negociados cresceu quase 13%, chegando a R$ 3,1 milhões. “Perdizes reúne localização estratégica, infraestrutura completa e um perfil mais residencial, combinação muito valorizada pelos compradores”, resume Michel Gdikian Neto, diretor Comercial e de Incorporação da Paulo Mauro Construtora e Incorporadora. A empresa desenvolve no bairro o Organic, lançado no fim do ano passado, com preço do metro quadrado a R$ 19 mil. Já Pinheiros, um dos bairros que mais têm chamado a atenção do mercado imobiliário paulistano, teve um semestre de estabilidade, tanto no volume de vendas quanto na valorização dos imóveis. O estoque, porém, recuou 27,5%, para 547 unidades disponíveis. “Com novos lançamentos já previstos, a tendência é que o mercado do bairro volte a ganhar ritmo até o fim do ano”, aposta Romero.
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