Três bilionários brasileiros fizeram novas doações a candidatos nas eleições de 2026. Walter Salles transferiu R$ 100 mil para a campanha de Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo, e R$ 50 mil para Marina Helou (PSB), que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados também por São Paulo. Além do cineasta, os irmãos Pedro e Alexandre Grendene doaram, cada um, R$ 500 mil para Cid Gomes (PSB), candidato ao Senado pelo Ceará. Os dados constam no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne prestações de contas das campanhas. Com o auxílio de inteligência artificial sob supervisão humana, o Valor analisou mais de 10 mil doações registradas a partir de 30 de julho por mais de 9 mil pessoas físicas, que foram declaradas no sistema do TSE para as eleições 2026.
Com os R$ 100 mil de Salles, Marina Silva acumula R$ 1,89 milhão em receitas na campanha. A contribuição do empresário representa 5,28% dos valores recebidos pela candidata até a atualização da prestação de contas mais recente. A maior parte dos recursos de Marina vem de partidos: R$ 1,1 milhão foi repassado pela direção nacional do PSOL e outros R$ 500 mil pela direção nacional da Rede. Doações de pessoas físicas somam R$ 235,05 mil. Marina é candidata ao Senado pela Rede e integra a coligação "Desperta São Paulo", formada por PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e Federação PSOL-Rede. A ex-senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente foi eleita deputada federal por São Paulo em 2022. Antes disso, disputou a Presidência da República três vezes: em 2010, pelo PV; em 2014, pelo PSB; e em 2018, pela Rede. Nas três eleições presidenciais, não foi eleita.
O patrimônio declarado por Marina Silva é de R$ 274,5 mil. Entre os bens estão uma casa em Rio Branco, seis lotes na capital do Acre, aplicações financeiras, valores em contas bancárias e uma poupança. Já Marina Helou recebeu R$ 50 mil de Walter Salles. O valor corresponde a 3,62% dos R$ 1,38 milhão arrecadados pela candidata até a mais recente atualização da prestação de contas. O PSB é responsável pela maior parcela dos recursos, sendo R$ 880 mil repassados pela direção nacional do partido, o equivalente a 63,65% das receitas. As doações de pessoas físicas somam R$ 502,5 mil, ou 36,35% do total. Nas eleições de 2026, Helou disputa uma vaga de deputada federal por São Paulo pelo PSB. Ela já foi eleita deputada estadual em duas ocasiões, em 2018 e 2022, quando concorreu pela Rede. Também disputou a Prefeitura de São Paulo em 2020, mas não foi eleita.
O patrimônio declarado por Marina Helou é de R$ 1,85 milhão, com a maior parte do total concentrada em imóveis. Além disso, ela declarou ao TSE possuir um veículo, participação em empresa, aplicações financeiras e uma parcela de imóvel recebida por herança. Irmãos Grendene No Ceará, Cid Gomes recebeu R$ 500 mil de Pedro Grendene e outros R$ 500 mil de Alexandre Grendene. Juntos, os irmãos doaram 48,49% dos R$ 2,06 milhões declarados por Cid até a atualização da prestação de contas. Individualmente, cada irmão responde por 24,24% da arrecadação do candidato. Além das contribuições dos dois empresários, Cid recebeu R$ 504,7 mil da direção nacional do PSB, equivalente a 24,47% de suas receitas. Cid Gomes é senador pelo Ceará e tenta permanecer no cargo pelo PSB, que integra a coligação "Ceará Forte, do Lado Certo", que reúne PDT, Podemos, PSB, PSD, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PRD, Solidariedade, Republicanos, MDB e Mobiliza.
Gomes já foi eleito deputado estadual pelo Ceará em 1990 e reeleito posteriormente. Em 1996, venceu a eleição para prefeito de Sobral e foi reeleito em 2000. Em 2006 e 2010, foi eleito governador do Ceará. Em 2018, chegou ao Senado pelo PDT. Agora, concorre novamente ao Senado, desta vez pelo PSB. O patrimônio declarado pelo candidato é de R$ 1,6 milhão. Entre os bens estão participações em empresas, apartamentos em Fortaleza, imóveis em Sobral, terrenos, aplicações financeiras e recursos mantidos em conta no exterior.
Quem são os bilionários Walter Salles, que aparece no site do TSE como responsável por R$ 550 mil em doações nesta eleição, é diretor e produtor de cinema. Filho do banqueiro Walther Moreira Salles e um dos herdeiros da fortuna do Itaú, ele ficou conhecido por trabalhos como "Central do Brasil", "Diários de Motocicleta" e "Ainda Estou Aqui". Seu patrimônio é estimado pela Forbes em aproximadamente R$ 26 bilhões. Na campanha de 2026, antes das contribuições a Marina Silva e Marina Helou, Salles havia feito outras cinco doações: a João Francisco Paiva Avelino (candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PSB), Anielle Franco (candidata a deputada federal no Rio de Janeiro pelo PT), Manuela d'Ávila (candidata ao Senado no Rio Grande do Sul pelo PSOL), Vilma Reis (candidata a deputada estadual na Bahia pelo PT) e Abidan Henrique Da Silva (candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PSB), . Ao todo, o sistema registra sete doações e R$ 550 mil destinados pelo cineasta nesta eleição. Com uma fortuna combinada de R$ 19 bilhões, segundo a Forbes, os irmãos Pedro e Alexandre Grendene construíram sua riqueza principalmente a partir da Grendene, empresa de calçados fundada pelos dois em Farroupilha (RS), em 1971. Eles já fizeram doações milionárias para campanhas das eleições de 2026. Conforme consta nas declarações ao TSE, Pedro aparece com R$ 1,2 milhão em doações. Além de Cid Gomes, ele também doou a Ciro Gomes (candidato ao governo do Ceará pelo PSDB) e a Fabiano Feltrin (candidato a deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo PL). Alexandre tem registro de R$ 3,5 milhões em contribuições nas eleições de 2026. Além de Cid Gomes, ele realizou doações a Ciro Gomes e Luciano Zucco (candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PL).
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