A chance de interferência nas midterms nesta terça-feira (3) ou em dias seguintes por parte do governo Trump ou de apoiadores fez os estados já se preparem para evitar um problema maior. Há receio que a situação escale durante a votação, com invasões a locais de votação, por exemplo.
Líderes estaduais e locais têm treinado os mesários e coordenado com a polícia local sobre como reagir caso agentes do ICE ou outros agentes federais apareçam nos locais de votação. Os estados elaboraram previamente possíveis contestações legais antes mesmo de qualquer confronto ocorrer.
Outros contrataram advogados externos de forma preventiva, diz a rede de TV CNN. Estão preparados para recorrer rapidamente aos tribunais e obter alívio imediato ou recursos caso a interferência federal se concretize.
Além disso, as autoridades eleitorais também estão se preparando para o caso de cidadãos, ativistas ou observadores partidários interromperem ou atacarem os locais de votação e apuração dos votos. Na internet, ativistas já estão divulgando alegações antigas de fraude eleitoral e supostos problemas com as cédulas e as urnas eletrônicas.
As autoridades temem que essas narrativas possam se tornar munição para contestar os resultados ou minar a confiança pública no processo eleitoral. Trump e seus aliados continuam a alegar votação generalizada de não cidadãos e fraude eleitoral, inclusive nas eleições de meio de mandato que já estão em andamento.
Eles ameaçaram processar funcionários eleitorais que não garantirem a segurança dos votos ou permitirem que não cidadãos votem e entraram com ações judiciais para restringir a contagem de votos contestados na Califórnia e a certificação dos resultados no Alasca. 'Quanto mais esse tipo de coisa vem à tona, e considerando que se baseia em tanta desinformação ou meias-verdades, mais frustrante se torna', disse Matt Crane à CNN, diretor executivo da Associação de Escrivães de Condado do Colorado e membro do Partido Republicano.
Trump volta a pedir que eleitores finjam que o nome dele está na cédula Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
KENT NISHIMURA / AFP O presidente Trump encerrou sua campanha pré-eleitoral incentivando as pessoas a votarem em uma participação na Fox News.
Segundo ele, se o 'povo votar, venceremos com uma margem esmagadora'. 'Estou apenas pedindo a todos que finjam que meu nome está na cédula', disse o presidente, reiterando um tema frequente em seus comícios e aparições durante as eleições de meio de mandato.
Ele acrescentou que 'de certa forma, estou', porque se os republicanos perderem, suas conquistas legislativas poderão ser 'anuladas'. Milhões de americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, que podem virar um plebiscito para o governo Donald Trump.
Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara; 35 vagas no Senado e os governos de 36 Estados. Os democratas podem retomar o controle do Congresso, atualmente dominado pelo Partido Republicano, de Donald Trump.
Na Câmara, são 218 deputados republicanos e 214 do Partido Democrata, além de um independente e de duas cadeiras que estão vagas. No Senado, são 53 republicanos contra 45 democratas.
Dois senadores são independentes. Pesquisas e projeções divulgadas antes da votação apontam vantagem democrata na disputa pela Câmara.
Embora o presidente não esteja na cédula eleitoral, o desempenho dos candidatos republicanos e democratas será analisado como um indicador da aprovação ou rejeição de suas políticas. O custo de vida; a guerra contra o Irã e a imigração dominaram a campanha.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera da votação mostra que apenas 32% dos americanos aprovam o governo Trump. Segundo o levantamento, metade dos eleitores considera os preços o fator mais importante para decidir o voto.
Levantamentos citados pela imprensa americana mostram que 55% da população é contrária ao conflito no Oriente Médio. Na imigração, pesquisa da Fox News aponta que 56% desaprovam a atuação do presidente, principalmente diante das operações de agentes federais do ICE.
Para tentar evitar a derrota, Trump prometeu pagar cinco mil dólares a todos os americanos adultos caso os republicanos vençam as eleições legislativas. Em discurso no encerramento da campanha em Washington, o presidente também atacou os candidatos democratas, numa última tentativa de mobilizar eleitores.
Para tentar evitar a derrota, o presidente Donald Trump entrou numa batalha judicial em meio à campanha. Nessa segunda (2), a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou um pedido do republicano para anular 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia, o maior colégio eleitoral do país e dominado pelos democratas.
A Casa Branca alegou que os eleitores não teriam cidadania americana. Os democratas já preparam um plano para os primeiros cem dias de uma eventual maioria no Congresso americano.
Entre as prioridades está a tentativa de reverter medidas adotadas por Donald Trump, principalmente na política comercial. A oposição também pretende ampliar a fiscalização sobre a Casa Branca e avançar nas investigações sobre decisões do governo republicano.
Donald Trump já avisou que poderá se transformar no “Senhor Veto”, caso os democratas conquistem o controle do Congresso. O presidente ameaçou barrar todos os projetos aprovados pela oposição.
Pela Constituição americana, o Congresso pode derrubar um veto presidencial, mas precisa reunir dois terços dos votos tanto na Câmara quanto no Senado. Cabine de votação nos Estados Unidos para eleições.
CHARLY TRIBALLEAU/AFP
CBN