Engenheiro deixa fórum antes de ouvir condenação e é preso

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Fonte da notícia: Es Hoje Es Hoje

O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, de 42 anos, foi preso nesta quinta-feira (5), em Vitória, depois de deixar o Tribunal do Júri antes da leitura da sentença que o condenou a 27 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelo feminicídio da professora Danielly Wandermurem Benício.

Além da pena, ele terá que pagar R$ 500 mil de indenização aos familiares da vítima. Patrick foi detido pela Guarda Civil Municipal após sair do julgamento, realizado no Fórum Criminal, na região da Mata da Praia.

A sessão começou na terça-feira (3) e terminou nesta quinta, após três dias de julgamento. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que pediu a abertura de uma investigação para apurar se o engenheiro foi avisado antecipadamente de que seria condenado, antes mesmo de o resultado da votação ser divulgado.

Isso porque ele deixou o fórum antes da leitura da sentença, que ocorre após a decisão dos jurados. O julgamento terminou com a condenação por homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio.

A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Durante o júri, os promotores de Justiça Rodrigo Monteiro e Leonardo Augusto Cezar defenderam que as provas reunidas no processo demonstravam que Danielly vivia um relacionamento abusivo, marcado por controle e violência.

“Durante o júri, sustentamos que as provas demonstravam um relacionamento tóxico e abusivo, marcado por violência, frieza e desprezo à vítima. Nosso objetivo foi provar que crimes as dessa natureza não podem ficar impunes.

A vítima foi covardemente assassinada e a tentativa da defesa de tratar o caso como acidente ruiu diante das evidências”, afirmou Rodrigo Monteiro. Indenização de R$ 500 mil à família

Além da condenação à prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 500 mil aos familiares de Danielly por danos morais. O valor foi solicitado pelo Ministério Público durante o processo e acolhido na decisão.

O crime aconteceu na noite de 29 de dezembro de 2017, no apartamento onde o casal morava, no bairro Jardim Camburi, em Vitória. Patrick era acusado de matar a esposa após uma discussão motivada por ciúmes.

Segundo a denúncia do MPES, o engenheiro tinha comportamento controlador e monitorava as redes sociais da professora por meio de um aplicativo de mensagens clonado. Como aconteceu o crime

Na noite do feminicídio, Patrick deixou o apartamento acompanhado de dois familiares que estavam no imóvel. Ele alegou que precisava procurar atendimento médico por causa de dores provocadas por uma cirurgia realizada poucos dias antes.

Mais tarde, voltou ao apartamento acompanhado de um parente, dizendo que precisava buscar um notebook. Depois de pegar o equipamento, saiu novamente, mas retornou sob a justificativa de que havia esquecido outro objeto.

Foi nesse momento que ficou sozinho com Danielly. Imagens de câmeras de segurança analisadas durante a investigação indicaram que ninguém entrou ou saiu do apartamento até o dia seguinte.

Em 30 de dezembro, Patrick e o familiar que o acompanhava retornaram ao imóvel e encontraram o corpo da professora. O engenheiro chegou a ser preso após o crime, mas foi colocado em liberdade posteriormente e respondeu ao processo fora da prisão até o julgamento desta semana.

Pena levou em conta a lei da época do crime O feminicídio passou a ser considerado um crime autônomo em 2024, com pena prevista de 20 a 40 anos de prisão.

Antes disso, era tratado como uma qualificadora do homicídio. Como o assassinato de Danielly aconteceu em 2017, a condenação levou em conta a legislação que estava em vigor na época dos fatos, o que influenciou o cálculo da pena.

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