A Eneva assinou nesta terça-feira, 3 de novembro, os contratos que garantem o uso de áreas e instalações do Porto de Barra do Riacho, em Aracruz, no litoral norte do Espírito Santo, até 31 de dezembro de 2046. O mesmo pacote confirma o endereço do novo hub de gás da companhia, um complexo termelétrico de 690 megawatts acoplado a um terminal de regaseificação, segundo o MegaWhat.
O projeto, antes chamado de Hub Sudeste, agora se chama Hub Espírito Santo. A operação comercial está prevista para 1º de agosto de 2031.
O que a Eneva arrematou Os contratos foram fechados com a Vports Autoridade Portuária, que administra os terminais de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho desde a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo, a Codesa, em 2022.
As áreas que a geradora vai ocupar estão sob gestão privada desde então. Aquela desestatização foi concluída no governo Jair Bolsonaro, dentro da agenda federal de entrega de portos à iniciativa privada.
A renovação do direito de uso depois de 2046 não está garantida de antemão. Depende do cumprimento das condições previstas nos instrumentos assinados, segundo a companhia.
O abastecimento virá de um terminal de gás natural liquefeito que a própria Eneva pretende erguer no complexo. Nesse tipo de instalação, o combustível chega resfriado a cerca de 162 graus negativos, em estado líquido, e é devolvido à forma gasosa antes de seguir para as turbinas.
A energia que entra em 2031 Usinas contratadas em leilão de reserva de capacidade não vendem energia comum, e sim potência disponível para o sistema.
Elas são acionadas quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa de reforço, em picos de consumo ou em anos de chuva fraca. Os 690 megawatts equivalem a quase metade da potência de Angra 2, a maior usina nuclear do país, com 1.350 megawatts.
O Brasil já opera terminais de regaseificação e recorre ao combustível importado para abastecer parte das termelétricas, sobretudo quando a hidrologia aperta. O Hub Espírito Santo saiu do Leilão de Reserva de Capacidade realizado em março deste ano, quando a Eneva garantiu contratos para perto de 5 gigawatts.
O lote mistura a recontratação de usinas já em operação e projetos novos movidos a gás natural. Os contratos de reserva têm duração de 15 anos.
Quem paga a conta é o consumidor, por meio de encargo cobrado na tarifa de energia elétrica. Além do capixaba, o pacote inclui a expansão do Hub Sergipe e o Hub Ceará, em Caucaia, com terminal de gás no Porto do Pecém.
O empreendimento cearense terá 1.659,4 megawatts, o equivalente a 2,4 vezes a capacidade capixaba, com 1.199,4 megawatts previstos para agosto de 2029 e 460 megawatts para agosto de 2031. A Eneva terá participação integral nos dois novos hubs.
A empresa afirma que a infraestrutura poderá atender projetos termelétricos de terceiros e fornecer gás a outros clientes, o que amplia o alcance do negócio para além das turbinas próprias. Quem fiscaliza e o que falta
O contrato portuário de Barra do Riacho nasce dentro de uma concessão acompanhada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos. A fiscalização do uso das áreas e das obrigações de investimento cabe a esse arranjo público ao longo das próximas duas décadas.
No setor elétrico, o cronograma passa pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo cumprimento das datas assumidas no leilão. Atraso na entrada em operação tem consequência contratual para a geradora.
Para Aracruz, que abriga uma das maiores fábricas de celulose do país, o hub acrescenta atividade industrial a um porto já movimentado. Para quem paga a conta de luz, o dado que importa é o prazo.
A potência contratada em 2026 começa a ser remunerada em 2031 e segue por 15 anos. O que está travado agora é a execução.
A Eneva precisa erguer o terminal de regaseificação, obter as licenças ambientais e conectar as turbinas ao sistema até 2031. O contrato portuário, porém, já começou a correr, e a renovação em 2046 dependerá do que a companhia tiver cumprido até lá.
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