Enem 2026 terá nova função além de levar estudantes à faculdade; ministro Leonardo Barchini explica regra dos 70%

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Ao ND Mais, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, explicou como o exame será utilizado para avaliar as escolas e o que acontece quando a participação mínima não é alcançada Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

O Enem 2026 terá uma nova função além de selecionar estudantes para universidades, que é ajudar a avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil. A mudança começa em caráter experimental e traz uma exigência importante: pelo menos 70% dos alunos de cada escola precisam participar do exame para que seus resultados possam integrar essa avaliação.

Ao ND Mais, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, programa de rádio e TV oficial do Governo Federal do Brasil, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, explicou como funcionará a regra dos 70%, o que acontece com as escolas que não alcançarem o percentual e por que o governo considera a mudança importante para conhecer melhor a realidade da educação brasileira.

A novidade representa uma mudança na maneira como o governo federal acompanha a qualidade da educação básica. Até então, a avaliação do ensino médio era realizada por meio de provas específicas, como a Prova Brasil, que contemplava principalmente conhecimentos de português e matemática.

Agora, a proposta é aproveitar a estrutura do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) para obter um diagnóstico mais amplo sobre o aprendizado dos estudantes. Durante o programa, ao ND Mais, Barchini explicou que o Enem oferece condições diferentes de avaliação porque é realizado em um ambiente controlado e os participantes têm um incentivo concreto para fazer a prova, já que ela também permite disputar vagas no ensino superior.

“Agora com o Enem a gente vai estar num ambiente controlado. Você tem o estímulo para fazer a prova, porque o Enem serve também para ingresso na universidade, então os estudantes vão fazer a prova para valer mesmo”, afirmou o ministro.

Com isso, além de português e matemática, o exame poderá contribuir para avaliar conhecimentos de história, geografia, química, física e outras disciplinas. A iniciativa integra o Enem ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), utilizado pelo governo para acompanhar o desempenho da educação brasileira.

A principal condição para essa nova avaliação é a participação dos estudantes. Em 2026, pelo menos 70% dos alunos concluintes do ensino médio da rede pública precisam realizar o exame para que a participação da escola seja considerada suficiente nessa etapa.

Questionado pelo ND Mais sobre como o percentual será calculado e o que acontecerá com as instituições que não alcançarem a exigência, o ministro explicou que cada escola terá sua situação analisada. “Para cada escola nós temos um protocolo”, afirmou Barchini.

Segundo o ministro, caso uma instituição não alcance o percentual mínimo, o governo vai investigar os motivos da baixa participação. Dependendo do resultado dessa análise, a escola poderá ficar de fora dessa primeira avaliação.

Barchini também ressaltou que a edição de 2026 funciona como um período experimental. A expectativa é que a participação mínima exigida aumente para 80% em 2027, quando o novo modelo deverá ser adotado de maneira obrigatória.

As escolas que não alcançarem a participação mínima não terão automaticamente uma avaliação negativa. De acordo com o ministro, a intenção é entender o que impediu os estudantes de comparecerem à prova.

Isso significa que uma unidade de ensino com participação abaixo do percentual estabelecido poderá ficar de fora dessa primeira avaliação, após a análise individual de sua situação. Durante a conversa, Barchini destacou que o governo está confiante de que conseguirá atingir a meta.

Para isso, houve diálogo com as secretarias estaduais de Educação, responsáveis pelas redes públicas de ensino médio. “Todos os secretários têm dito pra gente que vão atingir mais de 70%, então a gente confia muito nesse resultado”, disse o ministro.

O ministro também comparou a expectativa atual com a participação registrada anteriormente: no ano passado, a frequência dos estudantes concluintes da rede pública foi de 55%. Para 2026, a meta passou a ser de 70%.

A mudança busca produzir um retrato mais completo da aprendizagem dos estudantes brasileiros. Na avaliação do Ministério da Educação, utilizar o Enem permite aproveitar uma prova que já mobiliza milhões de participantes e contempla diferentes áreas do conhecimento.

Com informações mais abrangentes, o governo poderá identificar dificuldades de aprendizagem e conhecer melhor a realidade das redes de ensino. O ministro também destacou que houve articulação com os secretários estaduais de Educação para ampliar a presença dos estudantes.

Entre as medidas adotadas estão a inscrição automática dos concluintes da rede pública, que ainda precisam confirmar a participação, e ações de apoio ao deslocamento de quem necessita de transporte. Segundo informações do Ministério da Educação, a ampliação dos locais de aplicação também busca facilitar o acesso.

A estimativa é que aproximadamente 80% dos concluintes da rede pública façam a prova na própria escola onde estudam. A utilização do Enem como instrumento de avaliação da educação básica começa em caráter experimental em 2026.

A expectativa é que o modelo seja consolidado em 2027, com uma exigência de participação mínima maior. O Inep esclarece que os resultados do Enem 2026 não serão utilizados para definir o financiamento da educação básica, especialmente em relação ao Fundeb.

Para essa finalidade, continuarão valendo os resultados do Saeb de 2025. A divulgação dos resultados do Enem por escola e rede de ensino está condicionada ao cumprimento do percentual mínimo de participação.

Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil. Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023.

Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público. Leia mais ▾

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