Em mensagem sobre eleições, CNBB cita 'país soberano' e cobra 'compromissos com a democracia'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira uma nota sobre o segundo turno das eleições na qual pede que os eleitores considerem "a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia" na hora de votar. Na mensagem, os bispos pedem ainda que "Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda (...) e ajude-nos a vencer a indiferença".

'Valei-nos, Mãe Aparecida' x 'Que Nossa Senhora nos livre do comunismo': tragada por crise, CNBB vê política opor bispos Leia mais: Lula ganha celular para entrar no 'Exército' de Janones e promete usá-lo em live se grupo chegar a 10 milhões No início da mensagem, o Conselho Permanente da CNBB diz que o "Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança".

"Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste segundo turno das eleições", diz a mensagem.

Ao longo da campanha, a CNBB viu-se envolvida na controversia que colocou Nossa Senhora Aparecida no centro do debate eleitoral, poucos dias antes do primeiro turno. Adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro acusou "gente dentro" da conferência de disseminar a informação falsa de que ele teria a intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. — O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente. O que aconteceu ali foi, quase que automaticamente, uma disseminação dessa fake news. Só que rapidamente se reverteu, porque a verdade está do nosso lado — disse Flávio, em um ato de campanha em Goiânia.

Horas depois, a CNBB divulgou uma nota, na qual não citava o nome de Flávio. A conferência negou ter participado da produção ou disseminação de conteúdo falso.

“A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, afirmou a entidade. “A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.” Antes mesmo da nota da CNBB sobre o caso de Nossa Senhora, bispos da instituição já haviam se viralizado nas redes com manifestações que citavam desde a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) à defesa da soberania. Na missa de Sete de setembro celebrada em Aparecida, o arcebispo emérito Dom Orlando Brandes falou em soberania após pedir a Nossa Senhora que "nesse ano eleitoral elegamos aquelas pessoas (...) pensando no bem comum": — Cá entre nós, festa da independência. Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui. Aqui é nossa casa, nossa pátria. Aqui é o chão abençoado que Deus nos deu e faz parte da nossa identidade. No dia 6, o bispo Dom Adair Guimarães, da Dioceses de Formosa (GO), afirmou que o país não vive "uma democracia plena" e citou a existência de "presos políticos", além de pedir à Nossa Senhora que "interceda" pelo ministro do STF André Mendonça: — Que Nossa Senhora proteja nossa juventude, nossa pátria em frangalhos e doente. Interceda pelo nosso ministro André Mendonça, para que ajude a colocar a limpo o marasmo da corrupção que estraga a nossa pátria, a ditadura, ao cerceamento às liberdades com presos políticos e expatriados que revelam que a nossa pátria não possui uma democracia plena.

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