Muito antes de criar personagens que conquistariam milhões de brasileiros na televisão, como Tieta, Maria Altiva e Nazaré Tedesco, Aguinaldo Silva viveu uma história que já parecia destinada à ficção. Aos vinte e poucos anos, recém-chegado do Nordeste ao Rio de Janeiro, encontrou na efervescente e contraditória Lapa do final da década de 1960 um refúgio para sonhar com a literatura. É dessa experiência profundamente pessoal, considerada pelo próprio Aguinaldo quase autobiográfica, que nasce a história de "Lábios que Beijei". Em cartaz no Teatro Glauce Rocha, no Centro, o espetáculo conta com adaptação inédita de Júlio Kadetti, supervisão do próprio Aguinaldo Silva e direção de Marco Miranda. A montagem transporta o público para uma Lapa pulsante, marcada simultaneamente pela rebeldia boêmia e pela repressão brutal da ditadura militar. E quem é assinante O GLOBO aproveita 50% de desconto em até 2 ingressos para acompanhar de perto a história por trás do homem que conquistou o Brasil com suas histórias. No centro da narrativa está um jovem escritor negro conhecido como “a Escritora”, que chega à capital carioca em 1969, determinado a escrever um romance capaz de ser comparado às obras de Jean Genet. Munido apenas de sua máquina de escrever, o jovem, de jeito inocente, se depara com a brutal realidade de malandros, prostitutas e outros personagens marginalizados da noite carioca, que vivem à margem de uma sociedade que faz questão de mantê-los invisíveis. Enquanto o país celebra a conquista da Copa do Mundo de 1970 e alimenta uma imagem de prosperidade e grandeza nacional, a pesada violência dos porões da ditadura se faz presente nas ruas, atingindo justamente aqueles considerados indesejáveis. Unidos pela necessidade de sobreviver diante da perseguição, da censura e da intolerância social, os marginalizados da Lapa resistem do jeito que é possível. O diretor Marco Miranda, que coordena o elenco de 10 atores, define a obra como “uma ótima oportunidade de mergulharmos no lado humano de todos os personagens, com todos os seus conflitos, medos e principalmente seus amores. Existem grandes contrastes em alguns deles. Tais contrastes levam a choques, encontros e desencontros”. Ao revisitar um importante momento da história brasileira, a montagem propõe uma reflexão sobre liberdade e permanência, celebrando a diversidade, tema tão presente nos debates atuais. Em cena, a Lapa deixa de ser apenas um cenário para se tornar um personagem vivo da história, um espaço onde arte e sobrevivência resistem e caminham lado a lado, mesmo nos períodos mais sombrios da história brasileira. A força da dramaturgia lembra que a violência, a exclusão e a intolerância continuam atingindo, décadas depois, muitos dos mesmos grupos sociais. Ao estabelecer um diálogo entre passado e presente, o espetáculo reflete sobre memória e identidade a partir da trajetória do célebre dramaturgo. O Clube te leva! “Lábios que Beijei”, adaptação da obra de Aguinaldo Silva que retrata sua chegada ao Rio de Janeiro durante a ditadura militar, segue em cartaz no Teatro Glauce Rocha. Divulgação Ficou curioso? Confira as condições gerais aqui! Lábios que Beijei
Em cartaz no Teatro Glauce Rocha, “Lábios que Beijei” acompanha a chegada de Aguinaldo Silva ao Rio durante a ditadura
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O Globo
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