As eleições americanas de meio de mandato, marcadas para o próximo dia 3 de novembro, vão além da disputa por cargos políticos. Em diversos estados, a população participará de consultas populares para decidir o destino de pautas ligadas à agenda progressista.
Os temas em votação incluem a criação de novos impostos para bilionários, a legalização do aborto e o financiamento de moradias populares. Na Califórnia, os eleitores avaliam uma cobrança extra de 5% sobre o patrimônio de bilionários.
A ideia, defendida por sindicatos e grupos progressistas, busca arrecadar cerca de US$ 100 bilhões para financiar o sistema de saúde, que corre o risco de sofrer cortes de verbas federais. Embora a medida tente equilibrar as contas estaduais, ela gera polêmica: muitos críticos alertam que taxas sobre patrimônio desestimulam investimentos e podem levar os mais ricos a mudarem para outros estados, como já ocorreu na Noruega, onde a saída de grandes fortunas aumentou após tributos similares.
O tema do aborto será decidido nas urnas em quatro estados nesta eleição. Em Nevada, Virgínia e Idaho, os cidadãos votarão propostas para legalizar o procedimento.
Já no Missouri, a consulta popular trata da possível revogação de um direito que havia sido concedido há apenas dois anos. Em votações recentes de 2024, ativistas pró-aborto venceram em sete de dez estados, como no Arizona, onde a prática foi permitida até a viabilidade fetal.
Por outro lado, estados como Flórida e Dakota do Sul mantiveram restrições após plebiscitos que não atingiram o quórum necessário para mudanças. A Califórnia colocou em votação uma proposta para emitir US$ 11,25 bilhões em títulos públicos, que são documentos de dívida que o governo vende para arrecadar dinheiro agora e pagar depois com juros.
Esse montante seria usado em programas de habitação para pessoas de baixa renda, com uma fatia reservada especificamente para veteranos de guerra. O governador Gavin Newsom apoia a medida como uma forma de viabilizar o sonho da casa própria.
No entanto, opositores republicanos defendem que, em vez de contrair empréstimos, o estado deveria facilitar as leis de construção para reduzir custos. Além dos títulos de moradia, os eleitores votam a criação de um programa de 'segunda hipoteca' de até US$ 25 bilhões.
Esse programa funcionaria como um empréstimo adicional para ajudar famílias de classe média a comprar imóveis residenciais. A medida conta com o apoio de corretores de imóveis e organizações financiadas por grandes nomes da tecnologia, como Sergey Brin, cofundador do Google.
Os críticos, por sua vez, argumentam que esse subsídio pouco ajudaria a baixar o preço geral das casas e acabaria beneficiando apenas construções de luxo ou de alto custo no estado. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
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