Eleições no Brasil e EUA movimentam tabuleiro geopolítico nas Américas

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A virada inédita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições brasileiras e o revés sofrido pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, nas eleições de meio de mandato movimentaram o tabuleiro geopolítico no continente americano. A reação dos eleitores das duas maiores democracias do Ocidente ao autoritarismo e à ultradireita passou a servir de inspiração para democratas e progressistas em todo mundo.

Apesar da reeleição do petista no Brasil, a direita ainda controla sete dos 12 países da América do Sul: Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Bolívia, Paraguai e Equador. O professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) Vitor Bueno, doutorando em Relações Internacionais pela UnB, considera que a expansão da oposição a Trump nos EUA traz fôlego para a América Latina, mesma expressão utilizada pela presidenta do México, Claudia Sheinbaum, para descrever o resultado do segundo turno no Brasil.

Bueno classificou a reeleição do petista como “um dos maiores movimentos orgânicos em prol da democracia”. “A vitória de Lula criou uma barreira que Trump e Marco Rubio [secretário de Estado dos EUA] não vão conseguir transpor.

A expansão militar na região, os acordos desbalanceados e a interferência americana nas políticas domésticas não vão acontecer no maior país da América do Sul”, garante Bueno. Mas o professor ressalta que a derrota sofrida pelo republicano pode radicalizá-lo ainda mais, mesmo havendo maioria democrata no Congresso e nos governos dos estados.

“Pode gerar uma intensificação da atuação de Trump e de seu grupo político. O fôlego se justifica porque, a partir de agora, a oposição vai demandar mais atenção interna de Trump.

Dessa forma, é possível que ele não consiga se engajar de forma tão intensa com a região como ocorreu até o momento. Isso significa que as ações de Trump poderão ser investigadas, bloqueadas e criticadas com maior visibilidade domesticamente”, analisa.

Bueno considera que, caso Trump resolva mesmo intensificar as ações na política externa, a América Latina não estará no centro das obsessões do chefe da Casa Branca durante os próximos dois anos, mas, certamente, no de seu secretário de Estado, possível candidato à sucessão presidencial no Partido Republicano.

“A continuação de Rubio no cargo pode acelerar campanhas americanas, como no caso do aumento da pressão sobre Cuba ou da exploração da situação na Venezuela”, antevê.

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