Eleições 2026: saiba como o mercado no exterior reage à reeleição de Lula nesta segunda

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia o primeiro dia após a reeleição com forte movimentação dos ativos brasileiros negociados fora do país. Antes da abertura da B3 nesta segunda-feira (26), o real perdeu valor no mercado futuro em Chicago, enquanto o fundo que reúne ações brasileiras nos Estados Unidos registrou queda acentuada.

Os números funcionam como um primeiro sinal do humor dos investidores depois do segundo turno. Ainda assim, as cotações registradas no exterior não determinam, necessariamente, como o dólar comercial e o Ibovespa vão se comportar ao longo das negociações no mercado brasileiro.

No mercado futuro de Chicago, o contrato do real com vencimento em novembro de 2026 apresentava queda superior a 10% nas primeiras horas da manhã. Convertido para a relação entre real e dólar, o valor chegava ao equivalente a aproximadamente R$ 5,58 por dólar.

Esse preço, contudo, não corresponde à cotação do dólar comercial no Brasil. Trata-se de um contrato negociado no exterior, onde investidores conseguem ajustar posições antes da abertura dos negócios no mercado brasileiro.

Na sexta-feira (23), última sessão antes do segundo turno, o dólar comercial havia encerrado o dia em R$ 4,9930, após recuo de 0,90%. Outro indicador acompanhado nesta segunda-feira é o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que reúne ações brasileiras.

Ainda no domingo, após a confirmação do resultado eleitoral, o ativo já apresentava queda de cerca de 19% nas negociações posteriores ao fechamento regular da bolsa americana. Na pré-abertura desta segunda-feira, o recuo chegou a 26,74%, com o fundo negociado a US$ 31,20.

Na sexta-feira, ele havia encerrado a sessão a US$ 42,59. Como a B3 não opera aos domingos, o Ibovespa ainda tinha como referência o fechamento de sexta-feira, quando avançou 0,47% e terminou aos 205.083 pontos.

Além das oscilações observadas no câmbio e nas ações, especialistas avaliam que investidores deverão recalcular o risco associado aos ativos brasileiros diante do novo cenário político. Ao ‘UOL’, Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que a avaliação do mercado não deve se limitar ao resultado eleitoral.

“Mais do que o resultado eleitoral isoladamente, o mercado deverá reavaliar o prêmio de risco exigido para investir no Brasil. A combinação de incerteza fiscal e institucional pode provocar uma reprecificação muito mais intensa e duradoura dos ativos brasileiros”, destacou.

A possibilidade de movimentos bruscos também aparece nas projeções para os próximos pregões. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, disse ao ‘UOL’ que investidores terão de reposicionar suas carteiras diante do resultado, com possíveis efeitos sobre Bolsa, câmbio, juros futuros e títulos públicos.

“A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado”, explicou. A reação desta segunda ocorre depois de um período favorável para parte dos ativos brasileiros.

Apesar de ter acumulado queda de 0,17% na semana anterior, o Ibovespa registrava alta de 10,06% em outubro e de 27,28% no ano até o fechamento de sexta-feira. O dólar seguia movimento contrário.

A moeda americana havia recuado 3,50% no mês e 9,03% no acumulado de 2026. Na última sessão antes da eleição, investidores também acompanharam novos indicadores econômicos e o avanço do petróleo no exterior.

O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, abaixo do resultado de setembro, enquanto as cotações do Brent e do WTI avançaram em meio às tensões geopolíticas e à redução dos estoques americanos.

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