Alerta na B3: pré-mercado prevê disparada do dólar e risco de Circuit Breaker

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Fonte da notícia: Mixvale Mixvale

A bolsa de valores brasileira, a B3, acionou o mecanismo de circuit breaker (trava que interrompe o pregão em momentos de forte desvalorização) e suspendeu as negociações por 30 minutos na manhã desta segunda-feira (26), em São Paulo, após a queda do índice superar 10%. No mercado de câmbio, o dólar comercial disparou 12,52% e atingiu a cotação de R$ 5,605 às 9h30, em reação direta à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25).

A aversão ao risco começou no exterior antes mesmo da abertura do pregão local, quando o fundo de índice (ETF, fundo negociado em bolsa que replica uma cesta de ações) iShares MSCI Brazil (EWZ) tombou entre 25,8% e 26,74% no pré-mercado de Nova York. Em comunicado oficial sobre a paralisação das operações em São Paulo, a B3 informou: “O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 previsto para momentos de forte queda do mercado.

O mecanismo interrompe temporariamente as negociações e tem como referência a variação do Ibovespa B3, principal índice do mercado brasileiro de ações”. Veja também: Eleições 2026: Lula é reeleito presidente no segundo turno após virada inédita sobre Flávio Bolsonaro

O movimento de venda de ativos brasileiros teve início logo após a confirmação do resultado das urnas no domingo (25). Nas negociações estendidas (after-hours) em Nova York, o fundo EWZ chegou a recuar mais de 19%, perda que se intensificou na manhã desta segunda-feira (26).

Por volta das 7h30, os recibos de ações negociados nos Estados Unidos (ADRs) da Petrobras registravam baixa de 23,55%. Na bolsa de Chicago, as opções de real brasileiro com vencimento em novembro caíam 10,44% no pré-mercado, cotadas a US$ 0,1788, ante US$ 0,1997 na sexta-feira (23) — uma paridade implícita que já projetava a moeda norte-americana a R$ 5,593.

Diante da forte volatilidade observada no exterior, a B3 alterou preventivamente, ainda antes da abertura dos negócios, os limites diários de oscilação dos contratos futuros de índice (IND e WIN), dos contratos futuros de dólar (DOL e WDO) e dos fundos de índice BOVA11, BOVV11, SMLL11 e SMAL11.

As regras operacionais da bolsa brasileira estabelecem três estágios de paralisação quando o Ibovespa atinge perdas acentuadas em relação ao fechamento do dia anterior, com o objetivo de conter o efeito manada na desvalorização das empresas listadas. A reversão abrupta nos preços dos ativos reflete a revisão imediata das estimativas para as contas públicas e para a taxa básica de juros, a Selic, após a confirmação do quarto mandato de Lula.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, alterou sua projeção para a condução da política monetária pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Antes, a corretora estimava um ciclo contínuo de cortes que levaria a Selic a 12,75% ao ano, mas agora projeta que a próxima reunião do Copom terá uma última redução de 0,25 ponto percentual, estacionando a taxa básica em 13,50% ao ano durante todo o ano de 2027.

“Lula está diante de um problema fiscal grave, e o benefício da dúvida sobre sua atuação não se fará presente para facilitar seu trabalho”, afirmou Étore Sanchez. O economista-chefe da Ativa Investimentos acrescentou que, “frente à baixa capacidade de disciplina fiscal, não seria surpreendente se o dólar superasse os R$ 5,50 e orbitasse nesse patamar por um bom período”.

A alta do dólar encarece produtos importados e matérias-primas cotadas em moeda estrangeira, enquanto a manutenção da Selic em 13,50% mantém o custo do crédito elevado para empresas e consumidores no país. Na avaliação de instituições estrangeiras, o desfecho eleitoral também alterou a alocação de recursos voltados ao país.

O banco JP Morgan rebaixou a recomendação para o real e para os títulos públicos brasileiros de acima da média do mercado (overweight) para neutra (marketweight). Para o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, o resultado muda o cenário esperado pelos agentes financeiros.

“A vitória surpreendente de Lula vai frustrar as esperanças de reformas que melhorariam as finanças públicas e fortaleceriam as perspectivas de crescimento”, declarou Jackson. Esta é a primeira vez que o circuit breaker é acionado na bolsa brasileira desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o mecanismo interrompeu o pregão nos dias 9, 11, 12 (em duas ocasiões no mesmo dia), 16 e 18 daquele mês.

O choque registrado em 26 de outubro de 2026 ocorreu porque parte majoritária do mercado financeiro havia precificado uma vitória da oposição entre os dois turnos da eleição presidencial. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

No intervalo entre a primeira votação e a véspera do segundo turno, as ações brasileiras acumulavam alta de quase 7% e o real havia se valorizado quase 5% diante da moeda norte-americana. Na sexta-feira (23), último pregão antes da votação decisiva, o Ibovespa havia fechado em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos, enquanto o dólar comercial havia recuado 0,90%, encerrando o dia cotado a R$ 4,993.

Naquela mesma sessão, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15, prévia da inflação oficial) de outubro havia registrado alta de 0,32%, abaixo das projeções do mercado, e o barril do petróleo Brent havia subido 3,45%, para US$ 117,08. Com 100% das urnas apuradas no domingo (25), Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), superando Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21% (59.826.041 votos).

A posse presidencial para o quarto mandato está prevista para a terça-feira, 5 de janeiro de 2027. Além da reação doméstica ao resultado eleitoral, os investidores acompanham nesta semana indicadores econômicos locais e reuniões de bancos centrais no exterior, onde os juros dos títulos dos Estados Unidos voltaram a superar a marca de 5% e o barril de petróleo opera ao redor de US$ 115, em queda de 1,5%.

“A semana concentra decisões de política monetária do Federal Reserve, do Banco Central Europeu e do Banco do Japão, além de indicadores relevantes de atividade e inflação nos Estados Unidos”, afirmou a economista da corretora Mirae Asset, Marianna Costa.

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