As temperaturas acima da média registradas em diversas localidades do Matopiba (região que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) entre setembro e outubro aumentam a necessidade de atenção de produtores de soja da região, segundo alerta o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O instituto também chamou a atenção para a distribuição irregular das chuvas no início da safra 2026/27, reflexo do El Niño, o que limitou a recuperação da umidade do solo em parte da região. No Matopiba, setembro e outubro marcam a transição entre a estação seca e o início do período chuvoso, fase importante para a recuperação da água no solo e a implantação das lavouras.
Em setembro, os volumes de precipitação foram baixos e distribuídos de maneira irregular. Os maiores acumulados ocorreram no oeste e norte do Tocantins e no sul da Bahia, mas não foram suficientes para provocar mudanças significativas no armazenamento de água no solo.
Ao mesmo tempo, as temperaturas máximas médias superaram em mais de 2 °C os dados históricos em diversas áreas. Em Jacobina (BA), a anomalia chegou a 3 °C, enquanto em Morro do Chapéu (BA) atingiu 3,6 °C.
Em outubro, o comportamento se repetiu, com temperaturas até 3 °C acima das médias observadas de 1991 a 2020. Cruz das Almas (BA) registrou anomalia de 3 °C, e Araguaína (TO), de 3,2 °C.
Segundo o Inmet, a combinação de calor e chuvas irregulares aumenta a demanda hídrica do ambiente, principalmente pela intensificação da evaporação. Com isso, são necessários volumes maiores de precipitação para recuperar a umidade do solo e garantir condições adequadas à semeadura e ao desenvolvimento inicial da soja.
A análise da série histórica de produtividade da soja entre 1996 e 2025 feita pelo Inmet indica que a ocorrência de El Niño não está necessariamente associada à redução dos rendimentos no Matopiba. Os efeitos do fenômeno variaram entre os Estados, sem um padrão uniforme de comportamento.
Na Bahia e no Piauí, em metade dos anos sob influência do El Niño foram registradas produtividades acima da média histórica. No Tocantins, em 37,5% das safras acompanhadas no período de 1996 a 2025 o rendimento ficou dentro da média.
Em outros 37,5% do mesmo intervalo de tempo, foram verificadas produtividades acima da média histórica. Já no Maranhão, predominaram os resultados próximos à média, observados em 50% das safras.
De acordo com o Inmet, os impactos do El Niño sobre a produtividade dependem principalmente da distribuição das chuvas ao longo do ciclo da cultura. Períodos de deficiência hídrica que coincidem com fases de maior sensibilidade da soja, como a floração e o enchimento de grãos, podem comprometer o desenvolvimento das lavouras.
Para a safra 2026/27, as condições observadas até outubro representam um ponto de atenção principalmente para o estabelecimento das plantas, com possíveis reflexos no avanço da semeadura, na uniformidade da emergência e na formação do estande. O instituto pondera, contudo, que os dados disponíveis ainda não permitem estimar o desempenho final da produção.
Globo Rural