A demora em surgir um beijo entre os personagens Mau Mau (Maurício, vivido por João Victor Gonçalves) e Felipe (Pietro Antonelli) – enfim levado ao ar na sexta-feira, 30 – mostra o quanto a TV aberta ainda precisa avançar em determinadas pautas. Quem Ama Cuida pode até trazer representatividade importante para o horário nobre ao tratar do amor entre jovens que se descobrem gays.
Mas a longa demora na troca de carinho entre os personagens só reforçou o quanto ainda há de estigma no assunto para a emissora. (A coluna GENTE também está no Instagram.
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O beijo, aliás, foi adiado algumas vezes. O “casal que não é casal” ainda vive às voltas com Fernando (Pedro Alves), que tenta conquistar Mau Mau por fora.
Neste aspecto, a ótima Quem Ama Cuida consegue ser mais arrastada do que a finada Malhação, essa sim “prafrentex” em outros tempos ao abordar questões parecidas com mais naturalidade em horários menos nobres. Continua após a publicidade
Diriam os mais comedidos: “Ah, mas a emissora pode estar com medo de afugentar os telespectadores conservadores”. Não, o problema não é o medo de afugentar os conservadores, mas o de arriscar como tantas vezes já fez e ajudou a contribuir com debates importantes para a sociedade.
O marasmo narrativo (de sempre se repetir o dilema de um simples beijo) só contribui para estigmas que perduram na TV aberta, enquanto o público tem cada vez mais à disposição um vasto mundo de novas temáticas no streaming. Já sabemos onde isso vai dar.
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