247 – A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) protocolou uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados com o objetivo de investigar a atuação do deputado General Girão (PL-RN) durante um protesto promovido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, ocorrido na segunda-feira (19). A mobilização, de orientação conservadora, contava com pautas contrárias ao presidente Lula (PT) e de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), culminando em episódios de violência física entre os participantes e estudantes da instituição, relata o Metrópoles.
Na petição encaminhada ao colegiado, a parlamentar mineira solicita que seja apurado se o deputado do PL valeu-se do seu cargo para incitar ou inflamar o ambiente do protesto, favorecendo um clima de hostilidade e coerção em espaço acadêmico.
“A universidade é espaço de conhecimento, liberdade e democracia, não de intimidação e violência política. Mandato parlamentar não é licença para abuso de autoridade”, disse Duda Salabert ao defender a necessidade de apuração criteriosa.
ACIONEI O CONSELHO DE ÉTICA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS CONTRA O DEPUTADO GENERAL GIRÃO (PL)!
É inadmissível que um parlamentar participe de um ato político dentro da UFRN, fomentando agressões físicas entre estudantes.
A universidade é espaço de conhecimento, liberdade e democracia, não de intimidação e violência política!
O Conselho de Ética precisa apurar a conduta do deputado e sua responsabilidade nos acontecimentos.
Mandato parlamentar não é licença para abuso de autoridade— Duda Salabert (@DudaSalabert) October 20, 2026
A intenção da deputada é que o órgão disciplinar da Casa examine minuciosamente as circunstâncias do ocorrido, avaliando eventual responsabilidade do parlamentar potiguar e analisando se os seus atos caracterizaram violação do decoro parlamentar.
O tumulto foi registrado ao longo do ato denominado “Vire à direita: UFRN anti-Lula”, sob organização do grupo Direita UFRN. Além do General Girão, o evento contou com as presenças da vereadora natalense Camila Araújo (PL) e do dirigente estadual do partido Novo, Renato Cunha Lima.
Iniciada por volta das 16h, em pleno horário de aulas, a manifestação utilizou equipamentos de som e exibiu um boneco inflável com a imagem do presidente Lula usando trajes de presidiário.
A mobilização provocou forte reação entre os universitários presentes no local. A troca de ofensas verbais escalou rapidamente para confrontos físicos, registrando-se socos, empurrões e arremesso de objetos. Diante da gravidade da situação, docentes precisaram intervir e formar um cordão humano para conter a briga generalizada.
A violência deixou saldo de feridos e danos materiais. Um graduando do curso de Jornalismo sofreu lesões físicas, tendo óculos e um dente quebrados durante as agressões. O tumulto causou ainda a destruição de um dos portões de entrada do campus e forçou a suspensão de aulas e atividades acadêmicas na universidade.
Em manifestações divulgadas nas redes digitais, o General Girão atribuiu a responsabilidade pelos atos de violência a militantes de esquerda. O congressista sustentou que um apoiador do movimento conservador teve o veículo danificado, com pneus furados e a lataria riscada, e afirmou que outro aliado teria sido ferido por uma pedrada.
Em contrapartida, instâncias de representação estudantil, incluindo a Associação de Pós-Graduandos e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRN, publicaram notas de repúdio ao protesto e prestaram apoio ao acadêmico agredido. As entidades reiteraram a relevância da pluralidade de ideias e repudiaram manifestações violentas e coercitivas dentro das instalações universitárias.
Brasil 247