Rafael Bernardini, CEO da Sekron: portfólio maior e R$ 100milhões em vendas Gabriel Reis/Valor A empresa de segurança eletrônica Sekron Digital faturou R$ 100 milhões em 2025 e projeta crescer 30% em 2026, com investimentos em inteligência artificial e análise de dados para ampliar a atuação no setor. O negócio foi fundado em 1987, mas a trajetória empreendedora da família de imigrantes italianos começou bem antes, no início do século XX, com a fábrica de cofres de aço Bernardini. “O grande negócio, quando se pensa na veia empreendedora da família, é a capacidade de transformação”, afirma o CEO, Rafael Bernardini. Ele contou a trajetória da Sekron no novo episódio do podcast “Como eu Cresci”. O programa é uma parceria da CBN com o Valor e com Pequenas Empresas & Grandes Negócios. As conversas são conduzidas por Leandro Gouveia, repórter e apresentador da CBN, e Mariana Iwakura, editora-chefe de PEGN. O “Como eu Cresci” faz parte da iniciativa “Média é Mais”, que publica conteúdo sobre empresas de médio porte. O episódio está disponível no site da CBN e em todos os tocadores de podcast. A fábrica Bernardini foi fundada em 1912, pelo bisavô de Rafael, Ugo Bernardini. Os cofres vendidos pela marca ficaram conhecidos por serem à prova de fogo, protegendo seu conteúdo em caso de incêndio. Quando o avô de Rafael assumiu o negócio, passou a oferecer blindagem de veículos militares. Mais tarde, o pai de Rafael voltou a vender cofres e portas-fortes, que chegaram a ser comercializados para a Casa da Moeda, e iniciou os serviços de segurança eletrônica para bancos. A Sekron nasce nessa época, de uma parceria feita com a empresa italiana de alarmes eletrônicos e sensores de presença Elkron. “Era uma tecnologia que ainda não existia no Brasil”, aponta Rafael. Segundo ele, os primeiros sistemas de segurança foram vendidos para bancos que já eram clientes da Bernardini. A central de controle deixa de ser apenas uma estrutura de segurança para se tornar o cérebro do negócio” A chegada do atual CEO, em 2014, marcou o início da diversificação da carteira de clientes, com a expansão do atendimento para o varejo. A mudança ocorreu em um momento desafiador para a empresa. “As agências bancárias começaram a diminuir, e a gente precisava se reinventar”, diz. Formado em administração, Rafael chegou a trabalhar no mercado financeiro, mas resolveu ceder ao empreendedorismo. “Eu cresci vendo alarmes. Comecei a pensar por que estava trabalhando para um banco em vez de trabalhar para a minha família”, conta. Com a entrada de Rafael, o negócio adicionou serviços ao seu portfólio e focou no modelo one-stop shop, em que o cliente é atendido de ponta a ponta. De acordo com o executivo, o fato de a empresa ter um software próprio desde 2001 ajudou na virada tecnológica. “Oferecemos soluções completas de segurança eletrônica para clientes corporativos, desde o projeto e a venda ou a locação dos equipamentos até a instalação, o monitoramento, a manutenção e o gerenciamento de todo o parque instalado.” Atualmente, a tecnologia da Sekron está presente em 20 mil estabelecimentos de 800 municípios brasileiros. São cerca de 150 mil câmeras conectadas ao sistema da empresa, que mantém uma central de monitoramento ativa 24 horas, responsável pelo primeiro atendimento das ocorrências de segurança. A estrutura permite agilizar o compartilhamento de imagens e informações com as autoridades públicas. Em 2025, a parceria resultou em cerca de 125 prisões. Um dos focos dessa atuação conjunta é o combate ao roubo de canetas emagrecedoras em farmácias. Recentemente, a Sekron passou a usar inteligência artificial para que as imagens de câmeras possam ser fontes de informação para decisões estratégicas de segurança, comerciais ou de marketing. “Com dados sobre fluxo, mapas de calor, contagem de pessoas por corredor e tempo de fila, começamos a dar à loja física a mesma tangibilidade que temos no mundo on-line”, afirma. Para 2026, a meta é crescer 30% com foco nessas estruturas de IA. Hoje, a inteligência artificial é responsável pelo atendimento inicial de 40% das ocorrências recebidas pela central de monitoramento, reduzindo a necessidade de intervenção humana nessa etapa. “Cada vez mais, tudo estará conectado, e a central de controle deixa de ser apenas uma estrutura de segurança para se tornar o cérebro do negócio”, acrescenta Rafael.
Dos cofres à prova de fogo à IA, família Bernardini construiu negócio de R$ 100 milhões
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