O dólar à vista avança na sessão desta quinta-feira (22), em meio ao fortalecimento global da moeda americana, em um dia em que a preocupação com o cenário externo pode estar engatilhando a aversão a ativos de risco. Apesar do sentimento de maior cautela, há sinais de entrada de capitais no país, com melhora do dólar "casado" (a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e a do dólar à vista).
Como a perspectiva de agentes é que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença as eleições e o câmbio aprecie, exportadores podem estar internalizando capital antes de ver um dólar ainda mais fraco. Perto das 13h, o dólar à vista era negociado em alta de 0,37%, cotado a R$ 5,0457, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0220 e batido na máxima de R$ 5,0555.
Já o euro comercial avançava 0,13%, a R$ 5,6546. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,05%, aos 101,742 pontos.
Há um sentimento de aversão a risco no exterior, que faz com que as bolsas em Nova York recuem com força, enquanto as moedas de mercados emergentes seguem bastante pressionadas. Nesta tarde, o dólar aprecia 0,86% ante o rand sul-africano, 0,74% ante o zloty polonês e 0,46% contra o peso chileno.
Apesar da piora no exterior, o real não lista entre as moedas mais frágeis do dia. A perspectiva de mudança na condução da política fiscal do Brasil pode ser o motivo disso, com os investidores evitando fazer apostas grandes contrárias à moeda brasileira.
Além disso, uma internalização de capital pelos exportadores também pode estar dando suporte ao câmbio. A taxa extraída do dólar casado tem caído, com o diferencial em relação à taxa efetiva dos Fed funds diminuindo.
Se ontem esse spread estava em torno de 1,28 percentual, hoje caiu para 1,18 ponto mais cedo e agora está em torno de 1,10 ponto percentual. “Pode ser que a janela de dólar daqui para as próximas semanas seja de desvalorização, já que é mais provável uma vitória do Flávio [Bolsonaro].
Faz sentido, então, ter internalização corporativa”, afirma um trader na condição de anonimato. O Goldman Sachs diz, em nota, que continua esperando que o foco do mercado se desloque rapidamente para os resultados concretos após a eleição, incluindo as nomeações para o gabinete ministerial e a implementação de políticas.
“Esses desdobramentos podem manter a volatilidade do real elevada mesmo após o período eleitoral, ainda que o novo governo só tome posse em 2027.” Além disso, o banco aponta que as saídas sazonais de recursos em dezembro podem representar um fator adicional de pressão sobre o real caso os anúncios concretos de política econômica decepcionem.
“No entanto, nossas análises encontraram evidências limitadas de que esses fluxos tenham um impacto estrutural sobre o desempenho da moeda brasileira no passado”, dizem profissionais do Goldman. “Em última análise, acreditamos que o cenário global de apetite por risco continua sendo tão importante para o real quanto nos ciclos eleitorais anteriores.”
Valor