O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, presta depoimento Reprodução
Em seu depoimento à Polícia Federal em 15 de outubro deste ano, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou rebater as suspeitas da PF sobre a venda de uma carteira de crédito sem lastro de R$ 12,2 bilhões d Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e alegou ter "convicção" que o negócio teria dado lucro.
Entretanto, o ex-banqueiro foi rebatido pela delegada responsável pelo inquérito, Janaína Palazzo, que afirmou que o banco distrital conseguiu vender diversos ativos, menos os que ele adquiriu do Master. Preso preventivamente desde março deste ano, o ex-dono do Master passou grande parte de seu depoimento de 2h27 minutos insistindo que não sabia que a carteira de créditos da Tirreno era falsa e alegando que trocou os ativos oferecidos ao BRB para tentar solucionar o problema.
Segundo a PF, os ativos da Tirreno foram negociados entre janeiro e maio do ano passado e a investigação demonstrou que eles não existiam. Em sua defesa, Vorcaro questiona o fato de não se saber até o momento o resultado da auditoria do BRB sobre o negócio e diz que não seria possível falar em fraude sem se comprovar que os ativos repassados por ele deram prejuízo ao banco.
Para a PF, a tentativa de trocar os ativos teria sido mais uma manobra para tentar dar legitimidade à fraude e não eliminou totalmente o prejuízo causado. O BRB vive sua maior crise e tenta buscar ajuda para se recuperar do rombo deixado pelos negócios com o Master.
Ao longo do depoimento, a delegada reconheceu que os números da auditoria das contas no BRB ainda não são conhecidos mas, em determinado momento do depoimento, ela interrompeu o banqueiro para lembrar que, na prática, ninguém demonstrou interesse em comprar os ativos dados por ele ao BRB.
"Não sou responsável pelos problemas do BRB; faça-se uma perícia de todos os negócios que o Master fez com BRB, eu tenho convicção que eles deram lucro, e muito lucro", afirmou Vorcaro, ao que foi interrompido pela delegada: "Até porque se existissem esses ativos tão maravilhosos, eu acredito que eles ja teriam sido vendidos.
Por que eles ja venderam inúmeras outras carteiras boas, já foram vendidas, e os ativos de substituição aparentemente sem produzir liquidez", disse. Vorcaro, então, tenta rebater, afirmando ter ouvido notícias que fundos de grandes bancos teriam interesse em adquirir os ativos que ele teria oferecido ao BRB, no que é rebatido novamente pela PF: "O BTG comprou um monte de carteiras, a do Master ele não comprou." Em seguida, Vorcaro responde "será por quê?", ao que a delegada comenta "não sei".
O episódio da venda da carteira inexistente da Tirreno levou a PF a indiciar Vorcaro e outras 14 pessoas. O ex-banqueiro foi apontado como líder de uma organização criminosa que teria cometido as fraudes financeiras junto ao BRB.
A PF indiciou o ex-banqueiro pelos crimes de gerir fraudulentamente instituição financeira; induzir ou manter em erro sócio, investidor ou repartição pública competente, relativamente a operação ou situação financeira, sonegando-lhe informação ou prestando-a falsamente; fraudar a fiscalização ou o investidor, por meio de informações falsas em documentos sobre investimento em títulos ou valores mobiliários; organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Agora o caso está sendo analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai decidir se denuncia ou não todos os indiciados. Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não se manifestou.
Globo