Os resgates líquidos em fundos de crédito privado e de infraestrutura aceleraram em outubro, em meio à volatilidade dos títulos de dívida das empresas. Nos fundos de crédito tradicional, as saídas chegaram a R$ 15 bilhões até o dia 26, ante R$ 9 bilhões em setembro.
Já os fundos de infraestrutura registraram resgates líquidos de R$ 6 bilhões, o dobro dos R$ 3 bilhões do mês anterior, segundo levantamento da área de pesquisa do BTG Pactual. O movimento foi proporcionalmente mais intenso nos fundos de infraestrutura, de acordo com o relatório, de autoria dos analistas Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares.
As saídas de outubro representaram 2% do patrimônio líquido da amostra acompanhada pelo banco, ante 0,9% em setembro. Nos fundos de crédito tradicional, os resgates corresponderam a 0,7% do patrimônio, depois de 0,5% no mês anterior.
Com isso, os fundos de crédito tradicional acumulam resgates líquidos de R$ 110 bilhões no ano, equivalentes a 5,3% do patrimônio. Nos fundos de infraestrutura, as saídas chegam a R$ 15 bilhões, ou 5,2% do patrimônio.
Segundo o BTG, é a primeira vez que a amostra de fundos de infraestrutura registra resgates líquidos no acumulado de 12 meses, período em que as retiradas somaram R$ 6 bilhões. A aceleração dos resgates ocorre após uma forte alta dos prêmios de risco da debêntures incentivadas, títulos que financiam projetos de infraestrutura e oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Segundo o relatório, a diferença entre a remuneração desses papéis e a dos títulos públicos indexados à inflação, medida pelo índice IDA-IPCA Infra, chegou a 1,06 ponto percentual em 19 de outubro, maior nível desde dezembro de 2023. A diferença havia permanecido entre 0,30 e 0,35 ponto percentual de junho a agosto, mas voltou a subir em setembro.
De acordo com o BTG, o movimento foi generalizado, atingindo 94% dos papéis que compõem o índice. Nos dias seguintes, houve uma recuperação.
Entre 19 e 28 de outubro, a diferença caiu 0,29 ponto percentual, para 0,77 ponto percentual acima da remuneração dos títulos públicos. Segundo os analistas, a melhora refletiu a maior atratividade dos papéis e a retomada das compras, principalmente de títulos de empresas consideradas de menor risco.
A volatilidade também afetou a rentabilidade dos fundos de infraestrutura. De acordo com o BTG, os fundos que utilizam mecanismos de proteção contra oscilações das taxas tiveram perdas em setembro e até meados de outubro, mas voltaram a apresentar ganhos com a recuperação dos preços dos títulos.
Já os fundos sem essa proteção registraram perdas em outubro, diante da alta dos juros dos títulos públicos indexados à inflação após o segundo turno da eleição presidencial. O banco avalia que os resgates ainda devem prevalecer nas próximas semanas, considerando a volatilidade da rentabilidade e os prazos mais longos para o pagamento dos resgates.
Nas debêntures tradicionais, a alta dos spreads foi mais moderada. A remuneração adicional em relação ao CDI, medida pelo IDA-DI, passou de 1,42% ao fim de setembro para 1,52% em 28 de outubro.
O movimento atingiu 74% dos papéis do índice. No mercado primário, as emissões de crédito privado somaram R$ 428 bilhões entre janeiro e setembro, queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o BTG.
Excluindo as emissões de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), a retração chega a 29,7%. Apenas em setembro, as operações totalizaram R$ 55 bilhões, alta de 32,1% sobre agosto, impulsionadas pelas debêntures tradicionais, incentivadas e pelos FIDCs.
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